Foto: Ana Francisca Nascimento
Texto: Ascom Secult
O terceiro dia da Bienal do Livro Bahia 2026, na sexta-feira (17), foi marcado por uma programação especial promovida pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), com destaque para a participação da educadora e pesquisadora Lydia Hortélio. À tarde, o Café Literário recebeu a convidada para uma roda de conversa sobre as relações entre infância, aprendizado e o brincar.
Ainda durante o encontro, ela compartilhou reflexões sobre a importância da escuta e da leitura como experiências para a formação da infância.
Reconhecida como uma das principais referências na valorização da cultura da infância no Brasil, Lydia Hortélio também é pianista, professora de música e etnomusicóloga, com mais de seis décadas dedicadas à pesquisa do brincar e da música tradicional infantil.
Natural de Serrinha, na Bahia, a educadora iniciou sua formação musical em Salvador e, posteriormente, estudou na Europa, onde se inspirou nos trabalhos de pesquisadores como Béla Bartók e Zoltán Kodály. Ao retornar ao Brasil, passou a registrar e catalogar manifestações da cultura popular, especialmente no interior baiano, reunindo uma coleção com mais de 3 mil brinquedos musicais.
Fundadora da Casa das Cinco Pedrinhas, instituição voltada à pesquisa e difusão da cultura da criança, Lydia também desenvolveu iniciativas de formação de educadores, incentivando o brincar como ferramenta essencial no desenvolvimento infantil.
O secretário municipal de Cultura e Turismo, Alexandre Reis, comentou sobre o tema escolhido pela Secult para esta edição da Bienal do Livro Bahia 2026 e o impacto da participação de Lydia Hortélio no evento.
“Demos um foco maior no ‘Mundo Encantado da Criança’. É um tema muito pertinente ao momento que a gente vive. Tivemos a alegria de trazer Lydia para esse momento ímpar. É mais uma vez a Prefeitura dando a importância que deve ser dada à leitura, fomentando cada vez mais esse que é um dos pilares da educação”, afirmou.
Após o encontro, o público destacou a emoção e as reflexões provocadas pela educadora. A jornalista Simone Café, coordenadora do Núcleo Especial de Apoio à Primeira Infância da Prefeitura de Salvador, ressaltou o impacto da fala da convidada ao relembrar a importância do brincar e da infância.
“Ouvir Lydia é voltar a ser criança e ao que a gente sempre foi, ao que a gente nunca deveria ter deixado de ser. Não podemos deixar que essa sementinha que nasceu com a gente adormeça. Precisamos florescer todos os dias. Lydia é sonho, mas também é urgência, porque precisamos fazer com que os adultos entendam que criança é movimento”, expressou a coordenadora.
A assistente social Renata Macário também destacou as emoções despertadas durante a palestra. Segundo ela, o momento trouxe lembranças da infância e provocou reflexões sobre o papel do cuidado com as crianças.
“Desde o início, vieram várias sensações. Relembrei da minha própria infância e muitas vezes estive em lágrimas. Quando falamos de criança, falamos de um tema sensível. Saio daqui feliz, com reflexões e com a perspectiva de ampliar mudanças no meu trabalho”, afirmou.
Atividades – O estande “Mundo Encantado da Criança” na Bienal do Livro contou com outras atividades em homenagem a Lydia Hortélio, por meio da peça teatral “Sementes de Infância – O Jardim de Lydia”. O momento foi marcado por contação de histórias e música.
Responsável pela apresentação teatral, a professora, artista e produtora Débora Albuquerque explicou que o espetáculo foi criado especialmente para o evento literário como forma de homenagear a trajetória da educadora.
“Foi muito especial pesquisar e descobrir a história de Lydia. Criamos esse espetáculo com violinos, bonecos e personagens que dialogam com o universo da infância. Cada apresentação tem sido diferente, com públicos variados, mas sempre emocionante e muito especial”, afirmou a artista.
Incentivo à leitura – Gerente de Bibliotecas e Promoção do Livro e Leitura da Fundação Gregório de Matos (FGM), Jane Palma destacou a importância da Bienal como política pública de incentivo à leitura e ressaltou o crescimento do público nesta edição.
Segundo ela, o evento vai além da promoção da leitura, ao incentivar o contato direto com os livros e fortalecer o acesso à cultura. “A Prefeitura abraça esse grande projeto literário, apoiando escolas e incentivando estudantes e professores a escolherem seus livros. Ver crianças, adolescentes e jovens ávidos pela leitura é uma grande realização. O livro está presente na nossa vida todos os dias, e esse espaço ajuda a despertar esse olhar”.
Jane também ressaltou a relevância do tema “Mundo Encantado da Criança” e a homenagem à Lydia Hortélio como forma de reforçar a valorização da infância e do brincar. “É um tema que leva as pessoas a refletirem sobre a criança que existe dentro de cada um de nós. O que Lydia sempre plantou é justamente isso: não deixar essa criança desaparecer”, completou.
O público também comentou sobre a importância do espaço e da homenagem. A aposentada Palmira Lima, de 74 anos, que visitou a Bienal com a filha e neta, destacou o papel da leitura na formação cultural. “Ler é cultura. Só se constrói um povo com educação e cultura. Ler é viajar, é viver, é ser”, afirmou.
Já a filha dela, Juliana Lima, ressaltou a importância do contato das crianças com os livros físicos. “É muito importante que essa nova geração tenha acesso ao livro físico. Ver o quanto é mágico e encantador esse mundo da leitura. O estande ajuda a concretizar as histórias”, concluiu.
A programação no local seguiu com o lançamento do livro “Tinho, o menino que era música”, uma homenagem ao maestro Letieres Leite.
As atividades do espaço “Mundo Encantado da Criança” continuam até o dia 21, com rodas de conversa, oficinas, contação de histórias, apresentações artísticas e encontros com autores.































