Uma investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público da Bahia (MP-BA) revelou um esquema de concessão de privilégios a integrantes da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE) dentro do presídio de Eunápolis, no sul do estado.
De acordo com a denúncia apresentada à Justiça, o ex-deputado federal Uldurico Alencar Pinto (MDB), conhecido como Uldurico Jr., teria atuado diretamente na articulação de benefícios ilegais aos detentos. Ele foi preso no último dia 16 durante a Operação Duas Rosas.
As informações apontam que as regalias incluíam desde a entrada de eletrodomésticos, como freezers e geladeiras, até festas dentro da unidade, com música, comida e apresentações culturais. Também foram relatadas visitas íntimas em pavilhões, prática proibida pelos protocolos de segurança.
Um dos episódios mais graves descritos na investigação envolve a autorização para a realização de um velório dentro do presídio. Segundo o MP-BA, a então diretora da unidade, Joneuma Silva Neres, permitiu a entrada de um caixão com o corpo da avó de um dos líderes da facção, sem qualquer registro oficial.
O detento beneficiado seria ligado a Sirlon Risério da Silva, apontado como braço direito de Ednaldo Pereira Souza, conhecido como Dada, líder máximo do PCE. A autorização teria sido concedida após solicitação de aliados do ex-deputado, conforme relato da própria ex-diretora em acordo de delação premiada.
A investigação também detalha que líderes da facção tinham livre circulação dentro do presídio, acesso às chaves das celas e controle de espaços internos. Testemunhas afirmaram que essas práticas eram recorrentes e acabaram se tornando “institucionalizadas”.
Outro ponto destacado na denúncia são as visitas frequentes de Uldurico Jr. à unidade prisional. Segundo o Gaeco, o ex-parlamentar entrava no local sem passar por procedimentos de segurança, acompanhado de comitivas, e se reunia a portas fechadas com lideranças da facção.
Em uma dessas ocasiões, conforme relatos, a diretora chegou a bloquear a visibilidade da sala com folhas de papel para impedir o monitoramento externo, classificando o encontro como “conversa de cadeia”.
A denúncia ainda descreve eventos realizados dentro do presídio, como uma celebração no Dia da Consciência Negra, com distribuição de acarajé e roda de capoeira, da qual a própria diretora participou. Testemunhas relataram que detentos circulavam armados com facões durante a festa.
O MP-BA sustenta que o esquema contribuiu para fortalecer o domínio da facção dentro da unidade prisional, comprometendo a segurança e a ordem no sistema carcerário.
A defesa do ex-deputado não foi localizada até o momento. O espaço permanece aberto para manifestação.
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