O câncer de ovário segue como um dos maiores desafios da saúde feminina. Considerado o tumor ginecológico mais difícil de diagnosticar precocemente, a doença deve registrar 8.020 novos casos no Brasil em 2026, segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Na Bahia, a previsão é de 570 novos diagnósticos. Além disso, o câncer de ovário ocupa a terceira posição entre os tumores que atingem o aparelho reprodutivo feminino, atrás apenas dos cânceres de colo do útero e de endométrio. No entanto, lidera em mortalidade entre os ginecológicos, com taxa próxima de 70%.
Durante o mês de maio, campanhas de conscientização reforçam a importância da informação e do acompanhamento médico. Diferentemente de outros tipos de câncer, o tumor de ovário não possui um exame de rastreamento populacional capaz de identificar a doença precocemente em mulheres sem sintomas.
Segundo a oncologista Daniela Barros, da Oncoclínicas, o acompanhamento ginecológico regular se torna ainda mais importante diante dessa limitação. “Não existe um programa de rastreamento específico para o câncer de ovário e, por isso, é fundamental reforçar a importância do acompanhamento ginecológico de rotina e da atenção aos sinais”, esclarece.
Sintomas costumam surgir de forma silenciosa
Um dos principais obstáculos no combate à doença é justamente a dificuldade em perceber os sintomas nas fases iniciais. Em muitos casos, o câncer evolui silenciosamente e só é identificado quando já atingiu outros órgãos.
De acordo com a oncologista Luciana Landeiro, da Oncoclínicas, o diagnóstico tardio reduz significativamente as chances de cura. “Por não apresentar sintomas claros nas fases iniciais, o diagnóstico geralmente é feito de forma tardia, quando o tumor já se disseminou para outros órgãos”, explica.
Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) apontam que apenas 20% das mulheres recebem o diagnóstico ainda na fase inicial da doença.
Apesar disso, alguns sinais podem indicar a necessidade de investigação médica. Entre eles estão perda de apetite, aumento do volume abdominal, dores na região abdominal ou pélvica, alterações menstruais, cansaço frequente, mudanças intestinais e vontade constante de urinar.
O oncologista Daniel Brito, da Oncoclínicas, alerta que esses sintomas merecem atenção, principalmente quando persistem. “Esses sintomas precisam ser investigados tão logo sejam notados. Eles costumam ficar mais intensos com o crescimento do tumor”, afirma.
Diagnóstico precoce pode reduzir impacto do tratamento
Embora seja menos comum, a identificação precoce do câncer de ovário possibilita tratamentos menos agressivos e melhores perspectivas de recuperação.
A oncologista Camila Chiodi, da Oncoclínicas, destaca que pacientes diagnosticadas em estágio inicial costumam apresentar melhor qualidade de vida durante o tratamento. “A detecção em estágio inicial permite, em muitos casos, adotar estratégias terapêuticas menos intensivas. No entanto, essa apresentação ainda permanece incomum devido à evolução clínica discreta da doença”, pontua.
Além disso, especialistas reforçam que hábitos e fatores individuais também influenciam no risco de desenvolver o tumor.
Histórico familiar e fatores hormonais aumentam o risco
Entre os fatores associados ao câncer de ovário estão idade acima de 50 anos, obesidade e nuliparidade, condição de mulheres que nunca tiveram filhos. Por outro lado, a gestação e a amamentação funcionam como fatores de proteção.
A oncologista Hamanda Nery, da Oncoclínicas, explica que alterações hormonais ao longo da vida também podem contribuir para o aumento do risco. “Mulheres que nunca amamentaram, que tiveram menarca precoce ou menopausa tardia podem apresentar risco aumentado para a doença”, ressalta.
Outro ponto de atenção envolve o histórico familiar. Casos de câncer de ovário ou câncer de mama em parentes de primeiro grau podem indicar predisposição genética hereditária.
Mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, por exemplo, aumentam significativamente o risco para diferentes tipos de câncer. Por isso, especialistas recomendam aconselhamento genético em famílias com histórico da doença.
“Nesses casos, recomenda-se um aconselhamento genético para que medidas de prevenção sejam avaliadas pela paciente juntamente com a equipe médica”, finaliza Luciana Landeiro.
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