O papel da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, na campanha pela reeleição do presidente Lula da Silva (PT) deve entrar no centro das discussões do PT nesta semana. Integrantes da Secretaria da Mulher da legenda articulam conversas com auxiliares da socióloga para avaliar a disposição dela em participar mais ativamente de agendas políticas e eleitorais pelo país.

Nos bastidores da pré-campanha, lideranças femininas têm demonstrado interesse em associar suas candidaturas à imagem de Janja, principalmente em materiais de campanha, eventos e mobilizações políticas. A expectativa é utilizar pautas ligadas à defesa das mulheres, combate ao feminicídio e proteção de crianças como eixo central da atuação da primeira-dama.

Aliados de Lula envolvidos na estratégia eleitoral também defendem que Janja passe a cumprir agendas separadas das do presidente. A avaliação interna é que a atuação independente dos dois pode ampliar o alcance político da campanha e atingir diferentes segmentos do eleitorado simultaneamente.

Como Janja é filiada ao PT, integrantes da legenda avaliam que eventuais viagens e compromissos de caráter eleitoral precisariam ser financiados pelo próprio partido. Apesar disso, interlocutores afirmam que a discussão ainda está em fase inicial e envolve análise de vantagens e riscos políticos.

Entre auxiliares do governo e dirigentes petistas, existe preocupação com a maior exposição pública da primeira-dama durante o período eleitoral. Episódios considerados polêmicos por integrantes da base governista são citados como alerta para evitar desgastes políticos durante a campanha.

Entre os casos mencionados internamente estão a declaração “fuck you, Elon Musk”, feita por Janja durante evento do G20 no Rio de Janeiro, em 2024, além do episódio envolvendo uma reunião entre Lula e o presidente chinês Xi Jinping, durante visita oficial à China em 2025.

Na ocasião, houve repercussão após relatos de desconforto diplomático relacionados a uma fala da primeira-dama sobre redes sociais e o TikTok. Lula saiu em defesa da esposa e afirmou publicamente que Janja possui conhecimento sobre temas digitais e não é “cidadã de segunda classe”.

“Ela entende mais de direito digital do que eu e resolveu falar”, declarou o presidente ao comentar o episódio após a viagem à China.

Mesmo diante das preocupações internas, interlocutores próximos ao presidente avaliam que Janja pode desempenhar papel estratégico na mobilização do eleitorado feminino e no fortalecimento da presença do PT em campanhas regionais durante as eleições desse ano.

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