Condição provoca engrossamento das fibras do coração e muitas vezes não apresenta sintomas

Divulgação/Instagram @ganleygabrielGabriel Ganley, considerado uma das maiores promessas da nova geração de fisiculturistas brasileiros.

O fisiculturista de 22 anos, Gabriel Ganley, encontrado morto em seu apartamento neste sábado (23), na zona leste de São Paulo, teria morrido de cardiomiopatia hipertrófica (CMH), uma doença silenciosa que afeta o coração, provocando um aumento anormal das fibras do órgão, que acaba perdendo elasticidade e tem seu fluxo sanguíneo diminuído

A doença cardíaca é muitas vezes genética e hereditária, mas pode ser agravada com o uso de anabolizantes. Não há confirmação de que Ganley utilizava substâncias sintéticas para fins estéticos, porém, o atleta já havia falado sobre o uso em entrevista para o Flow Podcast, em 27 de outubro de 2025.

Na entrevista, Gabriel revelou a escolha de “deixar de ser natural” e que entendia que isso poderia causar danos a longo prazo em órgãos como fígado e coração. Considerado uma das maiores promessas da nova geração de fisiculturistas brasileiros, Ganley teve a morte confirmada por sua patrocinadora e por órgãos de segurança de São Paulo. O velório do atleta foi fechado para amigos e família, na manhã desta segunda-feira (25).

Em nota, a Secretaria Estadual da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), à qual o Instituto Médico Legal (IML) é subordinado, afirmou que a causa da morte do atleta ainda está sendo investigada. “O caso citado é investigado por meio de inquérito policial instaurado no 57° Distrito Policial (Parque da Mooca). A autoridade policial realiza diligências e aguarda o resultado de laudos do IML visando o esclarecimento dos fatos.”

A doença

Cardiomiopatia hipertrófica é uma doença normalmente genética em que as fibras musculares do coração aumentam de tamanho exageradamente, fazendo com que as paredes do órgão fiquem mais grossas (hipertrofiadas) do que o normal. A alteração ocorre principalmente no ventrículo esquerdo, que é a câmara que bombeia o sangue para o restante do corpo, e na parede que divide o coração ao meio, chamada de septo.

Com o engrossamento das paredes do órgão, o músculo cardíaco se torna mais rígido, perdendo sua elasticidade. Com isso, o coração tem dificuldade para relaxar e se encher de sangue entre um batimento e outro. Outro problema é a obstrução do fluxo sanguíneo, que acontece em cerca de 70% dos casos, devido ao aumento da espessura do septo, bloqueando a passagem do sangue em direção à artéria aorta, saída para o restante do corpo.

Sintomas

A CMH é conhecida como uma doença silenciosa, pois muitas pessoas podem passar a vida inteira sem sentir absolutamente nada. No entanto, quando os sintomas aparecem, os mais comuns são:

  • Falta de ar ou cansaço excessivo durante atividades físicas
  • Dor ou aperto no peito
  • Palpitações ou sensação de ritmo irregular nos batimentos
  • Tonturas e desmaios inexplicáveis.

A cardiomiopatia hipertrófica é a principal causa de morte súbita de origem cardíaca em atletas com menos de 35 anos, pois o exercício intenso exige que o coração bombeie mais sangue e trabalhe de forma acelerada. Em um coração com CMH, esse esforço extremo, somado a fatores como desidratação ou estresse térmico, pode levar à parada cardíaca se não houver atendimento imediato.

Genética

A CMH é causada por mutações em genes responsáveis pelas proteínas que fazem o músculo cardíaco se contrair. Basta que um dos pais tenha a mutação para que o filho tenha 50% de chance de herdar o problema. A recomendação padrão é que, quando um paciente for diagnosticado, todos os seus parentes de primeiro grau, como pais, irmãos e filhos, também passem por avaliação cardiológica.

O diagnóstico é feito por um cardiologista por meio de exames de rotina e de imagem, como ecocardiograma, ressonância magnética cardíaca, eletrocardiograma e teste genético.

Fonte: clique aqui.

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