Música ao vivo, visitas de cães de terapia, jardinagem, oficinas de pintura e jogos de mesa fazem parte da rotina de pacientes internados em um hospital de transição em Salvador. Além da assistência médica, a proposta é oferecer atividades de convivência durante o período em que a pessoa ainda precisa de cuidados antes de voltar para casa.
A Florence se apresenta como o primeiro hospital de transição da Bahia e como pioneira nesse modelo no Norte e Nordeste do país. O formato ainda é pouco conhecido no Brasil, embora existam serviços de cuidados prolongados voltados a pessoas que já passaram pela fase aguda de um tratamento, mas ainda precisam de acompanhamento antes da alta.
O que é um hospital de transição
De acordo com o Ministério da Saúde, os cuidados prolongados são destinados a pacientes em situação clínica estável que precisam de reabilitação ou adaptação a sequelas decorrentes de processos clínicos, cirúrgicos ou traumatológicos.
Dessa forma, esse tipo de assistência funciona como uma etapa intermediária entre os cuidados hospitalares de caráter agudo e a atenção básica ou domiciliar. O objetivo é oferecer continuidade ao tratamento enquanto o paciente recupera funções ou se adapta às limitações antes de retornar para casa.
Nesse contexto, podem ser atendidas pessoas em recuperação de cirurgias complexas, idosos, pacientes com dependência funcional ou pessoas em estágios avançados de doenças que necessitam de suporte paliativo ou reabilitação.
Na Florence, a assistência inclui atendimento médico 24 horas, equipe de enfermagem permanente, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas e psicólogos, além da estrutura hospitalar necessária para o acompanhamento dos pacientes.
No entanto, a proposta da unidade não se limita ao cuidado clínico. Ao mesmo tempo em que mantém a assistência de saúde, a rotina inclui atividades que procuram preservar hábitos, vínculos familiares e momentos de convivência.
Os familiares, por exemplo, podem permanecer no local. Além disso, os animais de estimação são bem-vindos e os pacientes podem comemorar datas importantes, como aniversários, dentro do próprio quarto.
Música, jardinagem e cãoterapia fazem parte da rotina
A programação de acolhimento acontece diariamente. Às segundas-feiras, os pacientes recebem apresentações de voz e sanfona. Já às quintas-feiras, há apresentações de violão e, às sextas, de saxofone. Em todos os casos, a programação musical dura uma hora.
Além disso, toda quarta-feira é dia de cãoterapia. As visitas dos cães de terapia duram de uma a duas horas e passam tanto pelo jardim quanto pelos leitos.
A unidade também mantém um espaço de jardinagem aberto a pacientes e visitantes. As sementes são disponibilizadas pela clínica e os vasos recebem o nome de quem os cultiva. Assim, o paciente pode participar do cuidado com a planta durante a internação.
Também fazem parte da programação oficinas de pintura livre, artesanato e jogos de mesa, como baralho, dominó e jogos de tabuleiro.
Para a equipe da Florence, essas atividades integram a proposta de cuidado durante a internação. Segundo a instituição, reduzir o isolamento, manter vínculos afetivos e preservar momentos de lazer podem favorecer o bem-estar emocional dos pacientes. A avaliação, portanto, é de que o cuidado durante a internação deve considerar não apenas as necessidades clínicas, mas também aspectos da rotina e da convivência.
Paciente relata experiência após AVC
Seu Carlos Alberto de Oliveira, mais conhecido como Hugo, de 72 anos, passou cerca de 45 dias na Florence depois de sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Antes disso, ele estava internado em um hospital convencional e não sabia que existia um modelo diferente de assistência. O contato com a Florence aconteceu por meio do sobrinho, que havia permanecido na unidade durante um ano depois de sofrer um acidente.
“Foi uma surpresa, mas uma surpresa excelente. Meu sobrinho tinha ficado na Florence por um ano após um acidente e foi assim que conheci. Foi muito bom estar lá e fui muito bem tratado, dos médicos até a equipe da cozinha”, contou.
Durante os cerca de 45 dias de permanência, Hugo participou de diferentes atividades e também aproveitou os espaços externos da unidade.
“Fiquei muito grato por tudo aquilo. A música, o jardim, enquanto estive lá ocupei o meu tempo da melhor forma possível. A presença familiar também foi muito boa porque eles podiam vir a qualquer momento. Não tenho dúvidas de que tudo isso contribuiu muito para a minha recuperação”, completou o paciente.
Assim, além do acompanhamento da equipe de saúde, a experiência relatada por Hugo envolveu música, contato com o jardim e presença da família durante o período de recuperação.
Atendimento combina assistência e convivência
Para o presidente da Florence, Dr. João Gabriel Ramos, a proposta é integrar a assistência técnica às atividades que fazem parte da rotina dos pacientes.
“Aqui, o cuidado técnico e o acolhimento caminham juntos. O paciente não deixa de ter acesso a tudo que um hospital oferece, mas também não precisa abrir mão da própria rotina, da família e dos pequenos prazeres do dia a dia e isso faz diferença real na recuperação. Nosso maior orgulho é olhar para Florence e saber que ela ajuda a tornar melhor a vida das pessoas”, afirma.
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