Ao menos seis pessoas morreram e 16 ficaram feridas depois que um homem abriu fogo no centro da cidade de Cracóvia, no sul da Polônia, na tarde deste sábado (7).
O ministro polonês da Defesa, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, classificou o ocorrido como um “ato de terrorismo” contra os moradores da cidade.
O suspeito, um cidadão polonês de 25 anos, portava um fuzil AR-15, de calibre .223 Remington / 5,56×45 e, segundo autoridades polonesas, era um “ultranacionalista” e “fascinado por ideologias de extrema direita”.
“Tudo sugere que o agressor tinha visões de mundo muito, muito radicais”, declarou o ministro polonês do Interior, Marcin Kierwinski. “Tudo leva a crer que o atirador foi influenciado por ideologias de extrema direita, algo que também será investigado”, acrescentou.
Mesmo diante de um agressor armado com esse tipo de equipamento e protegido por um colete balístico de alto nível, o policial não recuou: enfrentou a ameaça a curtíssima distância, armado apenas com sua pistola.
Assista:
Os mortos no ataque são quatro mulheres e dois homens, um deles já identificado como cidadão britânico. Dois policiais também foram feridos, um deles gravemente.
A polícia de Cracóvia disse que cinco das 16 pessoas feridas no tiroteio não eram polonesas. Um porta-voz do Ministério do Interior confirmou que elas eram procedentes da Áustria, Alemanha, Portugal, Rússia e Reino Unido.
Horas depois, o premiê Donald Tusk disse que autoridades encontraram os corpos de três parentes do suspeito — duas mulheres e um homem — dentro da casa onde ele vivia, numa cidade a cerca de 150 quilômetros a nordeste de Cracóvia.
Polícia encontrou arsenal de armas e munições no carro do suspeito
De acordo com a polícia de Cracóvia, por volta das 15h (horário local), um homem que havia entrado de carro na Praça do Mercado Principal começou a atirar aleatoriamente contra as pessoas de dentro do veículo.
Vídeos publicados nas redes sociais por testemunhas mostram pessoas correndo para longe da praça e buscando abrigo em ruas estreitas próximas, além de equipes de emergência tentando reanimar vítimas. Num dos vídeos, um policial aparece disparando repetidamente contra o agressor, que está caído na rua, e mais tarde ele próprio tomba lentamente no chão.
O agressor vestia roupas camufladas de estilo militar e um colete à prova de balas, além de usar uma arma longa de tipo militar no ataque, afirmou a polícia local. Ele continuou atirando contra os policiais mesmo depois de ter sido baleado.
No carro que ele dirigia, a polícia encontrou vários outros armamentos, além de munição.
O homem teria agido sozinho.
O prefeito de Cracóvia, Lukasz Gibala, disse que a cidade ficará em luto oficial até quarta-feira, mas prometeu que continuará aberta a turistas apesar da tragédia.
Cerca de 15 milhões de turistas visitam Cracóvia todos os anos, e a maioria passa pela Praça do Mercado Principal.
A cidade de aproximadamente 800 mil habitantes é a segunda maior do país e fica a cerca de 250 quilômetros de Varsóvia, a capital da Polônia.
Tiroteios em massa são raros na Polônia
Ainda não estava claro se a arma usada no ataque de sábado, ou as armas encontradas no carro do agressor, eram legais. Cerca de 411 mil pessoas possuem licença para armas na Polônia, um país com 37 milhões de habitantes, e o interesse pela posse de armas vem aumentando.
Tiroteios em massa são incomuns na Polônia. No entanto, em meados de outubro, três ataques em escolas na província central da Mazóvia ocorreram num intervalo de quatro dias, deixando uma pessoa morta e muitos feridos, incluindo crianças.
O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, elogiou em uma publicação no X os policiais que responderam à tragédia de sábado. O presidente da Polônia, Karol Nawrocki, se solidarizou com as vítimas e suas famílias.
Por volta das 15h, um motorista de bonde relatou que seu veículo foi alvejado por um homem num carro em movimento enquanto passava próximo à praça principal, comunicou a empresa municipal de transportes de Cracóvia. A janela da cabine do motorista foi destruída pelos disparos.
A organização de defesa dos direitos dos animais OTOZ Animals disse que o agressor também atirou em dois cavalos. Ambos sobreviveram, mas um foi atingido de raspão por uma bala, e o outro foi ferido na perna. As carruagens brancas puxadas por cavalos são uma das principais atrações turísticas da praça.
O prefeito de Varsóvia, Rafal Trzaskowski, anunciou o reforço das medidas de segurança, incluindo barreiras nas vias, ao longo das principais ruas do centro histórico da capital polonesa, após o ataque em Cracóvia.
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