Manter o corpo em movimento ao longo da vida pode contribuir para a saúde do cérebro e fazer parte de estratégias voltadas à redução de fatores de risco associados às demências. Durante o Setembro Lilás, profissionais reforçam a importância da atividade física tanto para um envelhecimento saudável quanto para a preservação da autonomia e da qualidade de vida de pessoas que convivem com essas condições.
A relação entre atividade física e demência envolve diferentes aspectos da saúde. Além de contribuir para a saúde cardiovascular, a prática regular pode auxiliar no controle da pressão arterial e favorecer a manutenção da capacidade funcional. Esses fatores integram uma abordagem mais ampla para a saúde cerebral ao longo da vida.
Atividade física e fatores de risco para demência
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 57 milhões de pessoas viviam com demência no mundo em 2021, enquanto quase 10 milhões de novos casos surgem a cada ano. A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência e responde por cerca de 60% a 70% dos casos.
O envelhecimento representa o principal fator de risco conhecido para a demência. No entanto, a condição não constitui uma consequência inevitável do envelhecimento. Diferentes fatores relacionados ao estilo de vida e à saúde ao longo da vida também podem influenciar o risco.
Entre esses fatores está a inatividade física, além de condições como hipertensão, diabetes e colesterol elevado. Por isso, estratégias de prevenção e redução de risco envolvem diferentes hábitos e o acompanhamento de fatores que podem ser modificados ou controlados.
Em julho de 2026, a OMS atualizou suas orientações sobre a redução do risco de declínio cognitivo e demência. Entre as estratégias apresentadas pela organização está o aumento da atividade física ao longo da vida.
A recomendação, porém, não significa que o exercício possa impedir o desenvolvimento da doença. A atividade física representa uma das medidas que podem contribuir para um envelhecimento mais saudável e para a redução de determinados fatores de risco.
Como a atividade física pode contribuir para a saúde do cérebro
De acordo com Everton Raeda, profissional de educação física e gestor técnico da Rede Alpha Fitness, os benefícios da atividade física vão além do condicionamento físico e também envolvem aspectos relacionados à autonomia.
“A atividade física contribui para a saúde cardiovascular, ajuda no controle da pressão arterial, melhora a capacidade funcional e favorece a manutenção da autonomia. Todos esses aspectos são importantes quando pensamos em envelhecimento saudável e em estratégias que podem ajudar a preservar a saúde do cérebro”, explica Everton Raeda.
A preservação da capacidade funcional ganha importância especialmente com o avanço da idade. Conseguir realizar movimentos e atividades do cotidiano com maior autonomia pode contribuir para a qualidade de vida e para a participação da pessoa em diferentes situações do dia a dia.
Por isso, quando o objetivo envolve a redução de fatores associados ao risco de demência, a atividade física não deve ocupar um papel isolado. Ela integra um conjunto de hábitos e cuidados relacionados à saúde ao longo da vida.
Exercícios também podem fazer parte dos cuidados após o diagnóstico
A relação entre atividade física e demência não se limita às estratégias de redução de risco. Para pessoas que já receberam o diagnóstico de Alzheimer ou de outro tipo de demência, a prática de exercícios também pode integrar os cuidados voltados à preservação da capacidade funcional e da qualidade de vida.
A OMS recomenda intervenções com atividade física para pessoas que vivem com demência e aponta benefícios relacionados à capacidade funcional e à qualidade de vida. Nesse contexto, cada pessoa precisa de uma prática compatível com suas condições, limitações e necessidades.
Caminhadas, exercícios de força, atividades voltadas ao equilíbrio e dança podem fazer parte da rotina, de acordo com a avaliação individual. Quando a pessoa apresenta dificuldades de mobilidade ou outras condições de saúde, a orientação profissional ganha ainda mais importância para definir atividades compatíveis com suas necessidades.
Não existe, portanto, um único modelo de exercício para todas as pessoas com demência. A escolha das atividades deve considerar as características individuais e o estágio da doença.
“Não existe um treino único para pessoas com demência. O exercício precisa considerar o estágio da doença, a mobilidade, o condicionamento físico e as características de cada pessoa. O objetivo não é apenas trabalhar força ou resistência, mas ajudar a preservar movimentos, autonomia e participação nas atividades do dia a dia”, destaca Raeda.
A proposta, nesse caso, não consiste em estabelecer um treinamento padronizado. O objetivo é utilizar o movimento de maneira adequada à realidade de cada pessoa. A preservação dos movimentos pode ajudar a manter a participação em atividades cotidianas e, consequentemente, contribuir para a autonomia.
Qual é a quantidade de atividade física recomendada?
De forma geral, a OMS recomenda que adultos realizem entre 150 e 300 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada por semana. Outra possibilidade consiste em realizar entre 75 e 150 minutos de atividade aeróbica de intensidade vigorosa.
A organização também recomenda atividades de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias da semana.
A recomendação deve considerar as condições individuais. Pessoas que não conseguem atingir imediatamente esses volumes também podem permanecer ativas dentro de suas possibilidades e aumentar gradualmente a prática, respeitando suas condições físicas e de saúde.
No caso de pessoas mais velhas ou com dificuldades de mobilidade, a escolha das atividades precisa levar em conta as limitações existentes. A adaptação ajuda a tornar o exercício compatível com a capacidade funcional de cada indivíduo.
Dessa forma, a prática de atividade física não precisa se limitar a uma rotina de exercícios estruturados. O objetivo é estimular o movimento de acordo com as possibilidades de cada pessoa e manter a regularidade ao longo da vida.
Atividade física não garante a prevenção da doença
Embora integre estratégias relacionadas à redução de fatores de risco para demência, a atividade física não garante que uma pessoa ficará livre do Alzheimer ou de outra forma de demência.
A prevenção envolve diferentes aspectos da saúde e do estilo de vida. Por isso, manter-se fisicamente ativo deve fazer parte de uma abordagem mais ampla, que também considere o acompanhamento e o controle de fatores como pressão arterial, diabetes e colesterol elevado.
Quando a pessoa já recebeu um diagnóstico, o objetivo também muda. Nesse cenário, o exercício pode integrar os cuidados destinados à manutenção de capacidades funcionais, movimentos e autonomia, sempre de acordo com as condições individuais.
“Quando falamos em prevenção, não estamos falando de uma garantia de que a pessoa não desenvolverá Alzheimer. A atividade física é uma das peças de um conjunto de hábitos que contribuem para um envelhecimento mais saudável. Nos casos em que já existe um diagnóstico, o movimento pode ajudar a preservar capacidades e proporcionar mais autonomia e qualidade de vida”, conclui Raeda.
Assim, manter uma rotina fisicamente ativa ao longo da vida pode contribuir para diferentes aspectos relacionados ao envelhecimento saudável. Para pessoas que convivem com demência, a atividade física também pode integrar os cuidados, desde que respeite as condições, limitações, necessidades e capacidade funcional de cada indivíduo.
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