A disputa presidencial de 2026 entrou em um novo cenário político após a divulgação das pesquisas AtlasIntel e Datafolha realizadas depois da repercussão do caso envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

Os novos levantamentos indicam avanço do presidente Lula da Silva (PT) e registram o primeiro desgaste eleitoral consistente da pré-candidatura de Flávio desde o início da corrida presidencial.

Até abril, o senador aparecia em trajetória de crescimento e havia consolidado rapidamente o eleitorado ligado ao bolsonarismo. Em alguns cenários anteriores, Flávio chegou a superar Lula numericamente em projeções de segundo turno. Após a divulgação dos áudios relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”, no entanto, os principais institutos passaram a captar uma mudança no humor do eleitorado.

AtlasIntel registra vantagem de Lula

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, realizada entre os dias 13 e 18 de maio, foi o primeiro levantamento nacional a medir integralmente os efeitos políticos da crise envolvendo o Banco Master.

No cenário de primeiro turno, Lula apareceu com 47% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registrou 34,3%, diferença de quase treze pontos percentuais.

No segundo turno, o presidente também abriu vantagem mais confortável após semanas de empate técnico nos levantamentos anteriores.

Segundo o instituto, o episódio alcançou ampla repercussão pública. A pesquisa apontou que 95,6% dos entrevistados disseram ter conhecimento do caso e 93,9% afirmaram ter ouvido o áudio relacionado ao senador.

Outro dado que chamou atenção foi a associação crescente do escândalo ao entorno político do ex-presidente Jair Bolsonaro. O percentual de entrevistados que ligam o caso Banco Master ao grupo bolsonarista subiu de 28,3% em março para 43,3% em maio.

O Partido Liberal questionou a metodologia da pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral, alegando que a reprodução do áudio durante as entrevistas poderia induzir respostas negativas. A AtlasIntel negou irregularidades.

Datafolha confirma tendência

A nova pesquisa Datafolha, divulgada em 22 de maio, reforçou o movimento identificado pela AtlasIntel.

No primeiro turno, Lula apareceu com 40% das intenções de voto contra 31% de Flávio Bolsonaro. Uma semana antes, os dois estavam tecnicamente empatados, em um cenário de 38% para Lula e 35% para o senador.

Já no segundo turno, o empate anterior de 45% para cada candidato deu lugar a uma vantagem de quatro pontos para o presidente, que passou a registrar 47% contra 43% do parlamentar do PL.

Segundo o Datafolha, 64% dos entrevistados disseram ter ouvido falar do caso Banco Master e o mesmo percentual afirmou considerar que Flávio Bolsonaro “agiu mal” no episódio.

Direita busca alternativa 

Apesar da queda de Flávio nas pesquisas, os levantamentos mostram que a direita ainda não encontrou um nome alternativo consolidado para enfrentar Lula em 2026.

Na AtlasIntel, o empresário e ativista Renan Santos (Missão) apareceu em crescimento e chegou a 6,9% das intenções de voto.

Já no Datafolha, os governadores Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (PSD-GO) seguiram oscilando entre 3% e 4%.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também passou a aparecer nos cenários do instituto. Em uma eventual disputa de segundo turno contra Lula, Michelle registrou 43% contra 48% do presidente. No primeiro turno, apareceu com 22%, abaixo dos índices alcançados por Flávio Bolsonaro.

Pesquisas aumentam tensão 

Os números divulgados após a crise do Banco Master reforçam que a disputa presidencial segue polarizada entre PT e bolsonarismo, mas indicam também que Flávio Bolsonaro perdeu parte da blindagem política construída nos primeiros meses de sua pré-campanha.

O cenário passou a gerar preocupação entre aliados do senador, integrantes do Centrão e setores do mercado financeiro, que acompanham a possibilidade de avanço de nomes alternativos no campo conservador caso o desgaste eleitoral continue crescendo nas próximas semanas.

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