O ex-ministro José Dirceu voltou ao centro das articulações internas do PT ao ser nomeado, na penúltima segunda-feira (17), coordenador do grupo responsável por atualizar o documento programático da sigla, considerado a principal referência ideológica para os próximos anos. A última versão, de 2016, já não contempla transformações tecnológicas, mudanças nas relações de trabalho e a nova configuração geopolítica mundial.
A escolha, feita pelo secretário-executivo do congresso petista, deputado Jilmar Tatto (SP), recoloca Dirceu no tabuleiro político como referência histórica do partido. Caberá a ele a tarefa de conduzir uma revisão profunda do texto, mas com um alerta: modernizar sem descaracterizar.
Segundo Dirceu, o partido precisa se posicionar diante de temas que ganharam força na última década, como o poder das big techs, a uberização do trabalho, o avanço da China, a força dos Brics e o impacto da atuação dos Estados Unidos sob Donald Trump. Ele defende, porém, que a modernização não significa renegar o ideário original.
“Não vejo motivo para alterar o caráter socialista do PT”, afirma, rebatendo discussões internas que defendem uma guinada à social-democracia.
A proposta será apresentada no congresso da sigla, marcado para abril do próximo ano. Este documento, entretanto, não terá como objetivo estruturar um eventual programa de governo de Lula para 2026, tarefa de outro grupo.
Dirceu planeja organizar seminários, encontros presenciais e debates online para ampliar a participação das bases e garantir que o texto reflita a pulsação interna do partido. “Será um documento construído de baixo para cima”, promete.
A atualização reacende debates históricos dentro do PT e testará a capacidade da legenda de dialogar com um mundo cada vez mais digitalizado e polarizado, sem abdicar de suas raízes.
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