No leilão que marcou a estreia do Programa AmpliAr, realizado na sede da B3 em São Paulo, a concessionária GRU Airport, responsável pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos, consolidou posição dominante ao arrematar sozinha a concessão de 12 aeroportos regionais em diferentes regiões do País. A rodada abriu oficialmente a estratégia do governo federal para modernizar até cem terminais deficitários, reforçando a aviação regional.
Apesar da expectativa inicial de que 19 aeroportos seriam concedidos, o certame terminou com seis terminais sem qualquer proposta, em especial no Norte do Brasil — entre eles Tarauacá, Barcelos, Itacoatiara, Itaituba, Parintins e também Guanambi, na Bahia.
GRU levou os aeroportos de Serra Talhada (PE), Cacoal (RO), São Raimundo Nonato (PI), Vilhena (RO), Araguaína (TO), Lençóis (BA), Paulo Afonso (BA), Araripina (PE), Porto Alegre do Norte (MT), Aracati (CE), Garanhuns (PE) e Barreirinhas (MA).
Apesar da extensa lista, as contrapartidas federais ainda não foram detalhadas. O secretário de Aviação Civil, Daniel Longo, afirmou que ajustes e compensações estão em estudo, já que os aeroportos ofertados dão prejuízo. Nesse modelo, o operador é remunerado pelo governo por meio do reequilíbrio de contratos já existentes.
A GRU Airport ofereceu deságio de 0% nos parâmetros anuais — receita, opex e capex — indicando que aceitou operar terminais deficitários sem pedir vantagens extras além das previstas no programa. A empresa sinalizou, entretanto, que prefere prorrogar o prazo do contrato atual, e não diminuir o valor da outorga. A extensão deve ficar abaixo do limite de cinco anos, segundo Longo.
Fraport surpreende e vence disputa por Jericoacoara
A única disputa realmente acirrada do dia envolveu o Aeroporto de Jericoacoara (CE). A alemã Fraport, que já administra os terminais de Fortaleza e Porto Alegre, venceu após apresentar deságio de 100% sobre os parâmetros anuais, superando PRS Aeroportos e a própria GRU.
O investimento previsto é de R$ 101,1 milhões, e o terminal, um dos poucos do AmpliAr que já operam voos comerciais, recebeu em 2025 cerca de 222 mil passageiros. A gestão será transferida para a Fraport sem direito a reequilíbrio em outros contratos do grupo.
O projeto prevê ampliação do terminal, obras na pista, ampliação do pátio e implantação da RESA, área de segurança que atende padrões internacionais.
Próximas fases terão novas regras
Longo destacou que o reequilíbrio não se aplica automaticamente a outras concessões de um mesmo grupo, ainda que a empresa tenha mais de um aeroporto sob sua responsabilidade. Cada contrato, afirmou, é tratado de forma isolada.
Com a estreia do AmpliAr, o governo espera atrair novos operadores para as próximas rodadas — ainda que o resultado desta primeira etapa tenha evidenciado, mais uma vez, a concentração do setor e o desafio de tornar rentável a aviação regional no Brasil.
Fonte: Clique aqui
Créditos do autor:


































