O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) reconheceu falhas na campanha eleitoral e afirmou nesta quarta-feira (7) que a disputa deste ano foi a “menos organizada” de sua trajetória desde 1989. A declaração ocorreu durante reunião com parlamentares e aliados, em Brasília, em meio à pressão por mudanças na equipe para o segundo turno.
“Fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade, poderíamos ter feito mais. Disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989”, afirmou Lula. A fala foi transmitida inicialmente pelo canal do PT e retirada do ar minutos depois. O conteúdo foi confirmado por diferentes veículos.
A avaliação ocorre depois de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminar o primeiro turno à frente do presidente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16%. O resultado aumentou a pressão interna por mudanças na coordenação, atualmente comandada por Edinho Silva, presidente nacional do PT.
Entre as mudanças discutidas está a ampliação do papel de Camilo Santana (PT-CE) na campanha. O senador ganhou espaço dentro do grupo petista após atuar na reeleição do governador Elmano de Freitas no Ceará. Ainda não está definida a divisão de funções entre Camilo e Edinho.
A comunicação também entrou no centro das críticas. Lula reconheceu que precisa aumentar sua presença nas redes sociais e passou a publicar vídeos em formato de selfie, estratégia defendida por aliados para aproximar o candidato do eleitorado digital.
Na reunião, o presidente também reforçou o discurso sobre segurança pública e defendeu a aprovação da PEC que amplia a participação da União na área. Lula ainda pressionou pelo avanço da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e desafiou o adversário a se posicionar sobre o tema.
A PEC em discussão no Senado prevê redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e dois dias de descanso, sem redução salarial. Flávio tem defendido outro modelo, baseado em maior flexibilidade das jornadas e negociação entre trabalhadores e empregadores. Como por hora trabalhada, quem quer trabalhar, trabalha, quem não quiser trabalhar muito, não trabalha. Por isso também, Flávio Bolsonaro cresceu bastante entre as classes mais baixa, segundo pesquisas.
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