Mensagens analisadas pela Polícia Federal mostram que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, afirmou que atuaria para ajudar na permanência de Otto Lobo na presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em uma das conversas, após ouvir do advogado Ciro Soares que seria necessário trabalhar pela efetivação de Lobo, Vorcaro respondeu: “Vamos fazer acontecer. Vou falar com a minha turma”.
As mensagens foram trocadas em julho de 2025, quando Lobo ocupava interinamente a presidência da autarquia. Segundo o material analisado pela PF, Soares relatou a Vorcaro que Lobo buscava apoio para conversar com o senador Otto Alencar (PSD-BA), então integrante da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), responsável pela sabatina dos indicados à CVM.
Na conversa, Soares afirmou que Lobo queria permanecer no comando da comissão e classificou o advogado como alguém próximo. Vorcaro respondeu que o nome era “ótimo” e que deveria ser colocado na presidência. Em seguida, os dois discutiram uma atuação coordenada para tentar viabilizar a permanência de Lobo.
Articulação no Senado
Soares também mencionou a possibilidade de levar Lobo ao senador Jaques Wagner (PT), que ocupava a liderança do governo no Senado. Segundo o advogado, ele pretendia apresentar o então presidente interino da CVM a parlamentares e trabalhar pela confirmação do nome.
Wagner afirmou que o encontro não ocorreu e declarou que nunca atuou em favor do Banco Master. O senador Otto Alencar (PSD) também negou ter intermediado qualquer encontro ou articulação para favorecer Lobo.
O próprio presidente da CVM afirmou que o processo de indicação de autoridades exige interlocução com responsáveis pela aprovação no Senado. Lobo, porém, negou ter buscado apoio de Vorcaro e afirmou não ter ingerência sobre conversas privadas de terceiros.
Lobo foi aprovado pelo Senado
A indicação de Otto Lobo para presidir a CVM foi aprovada pelo plenário do Senado em 20 de maio de 2026, por 31 votos a 13. A nomeação foi formalizada pelo governo federal em junho, e o mandato do presidente da autarquia vai até julho de 2027.
Lobo já integrava a CVM desde 2022 e havia assumido interinamente a presidência após a saída de João Pedro Nascimento. Durante sua atuação no comando da autarquia, decisões envolvendo interesses do Banco Master passaram a ser alvo de questionamentos.
Em janeiro, reportagens da Folha e da CNN mostraram que Lobo havia tomado decisões consideradas favoráveis ao conglomerado de Vorcaro em processos analisados pela CVM. O advogado sustentou que suas decisões foram técnicas.
CVM aplicou multas ao grupo Master
Apesar dos questionamentos, a atual gestão da CVM também adotou medidas contra integrantes do grupo. Em setembro, o colegiado da autarquia condenou Daniel Vorcaro, familiares e empresas ligadas ao antigo Banco Master em processos envolvendo operações consideradas fraudulentas, com multas que somaram mais de R$ 200 milhões.
A CVM informou ainda que outras denúncias e suspeitas relacionadas ao conglomerado permanecem sob análise técnica.
As mensagens reveladas pela investigação da PF acrescentam um novo elemento ao debate sobre a relação entre Vorcaro, seus interlocutores políticos e a cúpula da autarquia responsável pela fiscalização do mercado de capitais. As conversas, por si só, não comprovam que a articulação tenha resultado em interferência no processo formal de escolha ou que os parlamentares citados tenham atuado para beneficiar o banqueiro.
Fonte: Clique aqui
Créditos do autor:

































