A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal voltou a ganhar força no Congresso nesta sexta-feira (6) após a revelação de mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A divulgação do conteúdo provocou reação imediata de parlamentares da oposição ao presidente Lula da Silva (PT), que passaram a pressionar por investigações e até pela prisão do magistrado.
As mensagens, obtidas durante investigação da Polícia Federal, indicariam que Vorcaro teria mantido comunicação com Moraes no mesmo dia em que seria preso pela primeira vez, em novembro de 2025. O episódio acendeu um alerta no meio político e ampliou a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal.
Oposição parte para o ataque
Entre os parlamentares mais duros nas críticas está o deputado Nikolas Ferreira, que chegou a defender a saída imediata de Moraes do Supremo.
Segundo o parlamentar mineiro, se as situações fossem invertidas, o próprio ministro teria tomado medidas rigorosas contra qualquer cidadão comum. “Por muito menos o Alexandre de Moraes já teria prendido o Alexandre de Moraes. Esse cara precisa sair do STF”, afirmou.
O líder da minoria na Câmara, Gustavo Gayer, também criticou a relação entre o banqueiro e o entorno do ministro. Ele citou reportagens que apontam um contrato milionário entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes.
Segundo o parlamentar, o valor do contrato teria chegado a cerca de R$ 129 milhões. “O mais impressionante é que havia pagamentos mensais milionários e, ao mesmo tempo, não há registros de comunicação direta com ela nas mensagens extraídas do celular de Vorcaro”, afirmou.
Já o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva, classificou a situação do ministro como “insustentável” e cobrou atuação de órgãos de controle, incluindo a Procuradoria-Geral da República.
Conversas e bastidores
As mensagens também indicariam que Vorcaro teria consultado Moraes sobre a lista de convidados de um fórum jurídico realizado em Londres, em 2024. Em um dos diálogos, o banqueiro teria levado à organização do evento a orientação para barrar a participação do empresário Joesley Batista, do grupo J&F.
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi o método utilizado para manter o sigilo das conversas. Segundo apuração, as mensagens teriam sido escritas em blocos de notas, capturadas por print e enviadas com recurso de visualização única, o que dificultaria o rastreamento posterior.
O deputado Marcel van Hattem criticou o procedimento e questionou a coerência do ministro em decisões anteriores sobre destruição de provas digitais.
Reações no Congresso
Além das críticas da oposição, há movimentação para ampliar a investigação sobre o Banco Master. O senador Eduardo Girão afirmou que seu partido avalia novas medidas institucionais diante das revelações.
No Congresso, duas propostas de Comissão Parlamentar de Inquérito já foram apresentadas para investigar o caso envolvendo a instituição financeira. Uma delas foi protocolada pelo deputado Carlos Jordy, enquanto outra iniciativa partiu do deputado Rodrigo Rollemberg.
Apesar de haver apoio suficiente entre parlamentares para a abertura de uma investigação, a instalação das CPIs ainda enfrenta resistência da cúpula do Legislativo.
Governistas pedem cautela
Do lado governista e de partidos de esquerda, a reação foi mais cautelosa. O deputado Chico Alencar afirmou que o caso precisa ser esclarecido e defendeu a criação de um código de ética específico para ministros do Supremo.
Já o líder do PSOL na Câmara, Tarcísio Motta, destacou que nenhuma autoridade está acima do escrutínio público e que eventuais suspeitas precisam ser investigadas com transparência.
A deputada Heloísa Helena também defendeu a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master e possíveis relações políticas.
STF volta ao centro da turbulência
O episódio coloca novamente o Supremo no centro do debate político em Brasília. Nos bastidores, parlamentares avaliam que novas revelações envolvendo Vorcaro podem ampliar ainda mais a crise institucional e pressionar o tribunal a se posicionar sobre as suspeitas.
Enquanto isso, a expectativa no Congresso é que a disputa política em torno do caso se intensifique nas próximas semanas, especialmente com a possível instalação de uma comissão parlamentar de investigação.
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