O resultado do primeiro turno empurrou Mateus Pestana à ação. Na noite do domingo 4, ainda angustiado com a vantagem obtida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) diante o presidente Lula (PT), o cientista de dados se botou a pensar como poderia contribuir, a partir de sua expertise, com uma eventual recuperação de votos ao petista no segundo turno.

O primeiro dado alarmante que lhe veio à cabeça foi o número de abstenções: mais de 33,4 milhões de brasileiros aptos a votar (21% do total) não compareceram às urnas, batendo o recorde anterior, de 32 milhões em 2022. O cientista somou ao contingente os votos brancos e nulos e percebeu que mais de 48 milhões de votos estariam em disputa na segunda fase. Decidiu averiguar os locais de votação alinhados ao cenário de abstenção e mapeou mais de 26 mil localidades.

Montou, então, uma base de dados nacional para que as pessoas pudessem conferir, a partir de sua localização, as regiões com maior potencial de virada de votos. Nascia a plataforma “Onde Dá pra Conversar“. Ao pesquisar pelo bairro do Grajaú, por exemplo, o mais populoso de São Paulo, a plataforma estima a chance de virar 13.846 votos ao presidente Lula (PT), considerando um raio de um quilômetro dos locais de votação.

A ideia do criador é justamente estimular a conversa entre os eleitores, incentivando um trabalho de base que acabou sendo deixado em segundo plano com o advento das redes sociais.”É estimular que as pessoas tentem virar votos na rua, nos bares, restaurantes, em carros de aplicativo, retomar esse método de guerrilha original”, defendeu.

A estratégia foi inclusive incorporada à campanha do presidente Lula na segunda fase da disputa eleitoral. “Bora gente, bora pra rua, vamos conversar com as pessoas”, disse, em um vídeo publicado nas redes sociais. “Vamos ganhar essas eleições para não permitir que o retrocesso volte para esse país”, completou.

A estratégia mira os eleitores que não compareceram às urnas ou anularam o voto (Reprodução)

Nas redes sociais e também nas ruas

Para apoiar na abordagem, o cientista político organizou na seção “propostas” o que Lula aponta em seu programa de governo em diversas áreas como saúde, emprego, salário e trabalho, segurança, aposentados e pessoas idosas e mulheres.

A plataforma também estimula que os eleitores organizem grupos de WhatsApp para dividirem as tarefas pelo território, por exemplo, quem vai propor conversas nos pontos de ônibus ou nas feiras livres, otimizando o trabalho de vira voto. Orienta, ainda, que as narrativas sejam disputadas nas redes sociais, como Instagram, TikTok e Facebook, onde a extrema-direita ainda leva alguma vantagem.

A estratégia híbrida de redes e ruas também faz parte da nova estratégia da campanha petista. O presidente Lula se aproximou de lideranças jovens eleitas e que têm tráfego nas redes sociais, caso deputada federal Ana Elisa, eleita pelo PT de Minas Gerais aos 21 anos, e que tem mais de 2,6 milhões de seguidores no Instagram.

Desde o seu lançamento, em 4 de outubro, a plataforma ‘Onde Dá pra Conversar’ já alcançou quase 2 milhões de acessos. “Eu não sou filiado a nenhum partido político, nunca fui. A plataforma apenas dialoga com os moldes do País que eu quero e o que eu posso fazer para isso”, finalizou o cientista político.

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Créditos do autor: Ana Luiza Basilio

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