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O uso de um marcapasso ainda gera dúvidas sobre atividades comuns da rotina. Passar por detectores de metais, viajar de avião, praticar exercícios físicos, usar celular e eletrodomésticos e realizar exames estão entre as situações que podem levantar questionamentos depois do implante.

No Setembro Vermelho, mês em que se destaca a campanha de prevenção às doenças do coração, o cirurgião cardíaco Dr. Marcelo Sobral, presidente da Associação Brasileira de Estimulação Cardíaca (ABEC), reuniu sete mitos e verdades sobre o uso do dispositivo.

As informações abordam possíveis interferências eletromagnéticas, prática de esportes, cuidados após o implante, choques elétricos, uso de aparelhos eletrônicos e acompanhamento da bateria do marcapasso. A própria ABEC/DECA reúne orientações sobre o funcionamento e os cuidados relacionados aos dispositivos cardíacos implantáveis.

Imagem: Magnific

Detectores de metais e dispositivos antifurto podem afetar o marcapasso?

Verdade. Segundo a ABEC, equipamentos como detectores de metais e dispositivos antifurto instalados em bancos, aeroportos e lojas podem gerar interferência eletromagnética momentânea.

A associação ressalta, porém, que esses equipamentos dificilmente provocam danos ou desregulam permanentemente o dispositivo.

“O paciente deve evitar permanecer próximo a detectores antifurto de lojas e, quando possível, manter uma distância de 15 a 20 centímetros”, recomenda o Dr. Marcelo Sobral.

A orientação considera situações comuns em locais como estabelecimentos comerciais e aeroportos, onde esses equipamentos podem fazer parte dos procedimentos de segurança.

Quem usa marcapasso não pode viajar de avião?

Mito. A presença do dispositivo, por si só, não contraindica viagens aéreas, segundo a informação apresentada pela ABEC.

Assim, o fato de utilizar um marcapasso não significa, isoladamente, que a pessoa esteja impedida de viajar de avião.

Depois do implante, é possível dormir sobre a região e dirigir normalmente nos primeiros dias?

Mito. Em geral, a recomendação é evitar dormir sobre o local da cirurgia e realizar movimentos amplos com o braço durante cerca de três a quatro semanas.

A retomada da direção também depende do dispositivo e da indicação clínica. De acordo com a ABEC, o período pode variar de um mês a até seis meses em determinadas situações.

A orientação, portanto, considera tanto o tipo de dispositivo quanto a indicação clínica que levou ao implante.

Quem tem marcapasso pode praticar esportes?

Verdade. A atividade física não é proibida para quem utiliza o dispositivo. No entanto, esportes de contato e atividades que envolvam maior impacto na região do implante exigem atenção.

O marcapasso é bastante resistente, mas os eletrodos são mais sensíveis a traumas de grande intensidade.

O mesmo cuidado vale para a musculação. Os exercícios podem fazer parte da rotina, mas cargas excessivas e esforços de alta intensidade podem aumentar o estresse sobre o dispositivo e até provocar desgaste ou fratura do eletrodo.

Dessa forma, a prática de atividades físicas não está automaticamente proibida para quem usa marcapasso, mas determinadas modalidades e níveis de esforço exigem atenção.

Um choque elétrico de alta tensão pode alterar o funcionamento do marcapasso?

Verdade. A possibilidade de interferência depende da intensidade da corrente elétrica e do tempo de exposição.

Segundo as informações reunidas pela ABEC, choques domésticos de baixa tensão, em geral, dificilmente causam problemas. Já exposições de maior intensidade exigem avaliação médica.

A cartilha da ABEC/DECA sobre marcapasso também orienta que pessoas com o dispositivo evitem consertar equipamentos ligados à rede elétrica e mantenham distância de cercas elétricas.

O marcapasso corrige problemas como o infarto?

Mito. O dispositivo atua principalmente no tratamento de batimentos cardíacos lentos.

Marcapasso, desfibrilador e ressincronizador são dispositivos utilizados como ferramentas de suporte à saúde cardiovascular, mas não substituem medicamentos nem previnem um infarto.

A ABEC/DECA explica que o marcapasso é um dispositivo eletrônico desenvolvido para corrigir determinadas doenças cardíacas que reduzem a frequência dos batimentos e podem produzir sintomas incapacitantes.

Por isso, o implante de um desses dispositivos não significa que outros cuidados relacionados à saúde cardiovascular deixem de ser necessários.

Celular e eletrodomésticos estão liberados?

Verdade. De maneira geral, a ABEC informa que não há restrição ao uso de celulares e eletrodomésticos em boas condições.

No caso de equipamentos como o micro-ondas, porém, a recomendação apresentada pela associação é manter certa distância durante o funcionamento.

Assim, o uso desses aparelhos faz parte da rotina de quem possui um marcapasso, observando os cuidados indicados para cada situação.

O acompanhamento continua depois do implante

Os cuidados com o marcapasso não terminam após a realização do implante. O acompanhamento com o especialista continua sendo importante para avaliar o dispositivo e identificar o momento adequado para a troca da bateria.

Segundo a ABEC, o marcapasso não dá sinais que indiquem diretamente ao paciente quando a bateria precisa ser substituída. Por isso, é importante manter contato próximo com o especialista para saber a hora certa de realizar a troca.

A duração da bateria depende de uma série de fatores, como modelo, programação e tempo de uso.

O Ministério da Saúde também prevê o acompanhamento de pessoas que receberam marcapasso e outros dispositivos cardíacos implantáveis.

Quais exames podem ser realizados por quem usa marcapasso?

O material da ABEC também aborda os exames realizados por pacientes que utilizam o dispositivo.

Segundo a associação, o paciente pode realizar normalmente exames como raio X, ultrassonografia, tomografia e cateterismo.

Já a ressonância magnética e a eletroneuromiografia exigem atenção, de acordo com o material, por utilizarem corrente elétrica ou condições que podem interferir no dispositivo.

No caso da ressonância magnética, a própria ABEC/DECA alerta que existem restrições para a maioria dos modelos de dispositivos, especialmente os mais antigos, e orienta que o paciente consulte o médico antes de realizar o exame.

Como o texto-base não detalha as condições específicas para a realização desses exames, a orientação deve ser considerada dentro do acompanhamento do paciente e das características do dispositivo utilizado.

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Cuidados dependem de cada paciente

Mais do que seguir uma lista fixa de proibições, a orientação da ABEC destaca que a indicação do dispositivo e a condição clínica que levou ao implante são determinantes para definir os cuidados de forma individualizada.

Isso significa que a rotina de quem utiliza um marcapasso deve considerar as características do dispositivo e a condição que levou à necessidade do implante.

Por isso, a orientação da associação é manter acompanhamento regular com o cardiologista ou médico responsável pelo implante.

O protocolo do Ministério da Saúde sobre marca-passos cardíacos implantáveis e ressincronizadores também aborda a necessidade de acompanhamento dos pacientes implantados.

O acompanhamento permite avaliar o dispositivo e orientar o paciente sobre situações da rotina, como atividade física, viagens, uso de aparelhos eletrônicos, realização de exames e o momento adequado para a troca da bateria.

 

 

 

 

 

 

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