O deputado estadual Alan Sanches (União Brasil) médico e vice-líder da oposição na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), voltou a elevar o tom contra o governo Jerônimo Rodrigues, PT, após o Tribunal de Contas do Estado revelar uma explosão no tempo de espera da regulação. Segundo o relatório, o prazo médio para conseguir atendimento saltou de 1,5 dia em 2019 para 4,7 dias em 2024, um aumento de 213%. Em especialidades críticas, como cirurgia torácica, a espera ultrapassa dez dias.
Promessa descumprida
Sanches afirmou que o governador não apenas falhou na promessa de campanha de zerar a fila da regulação, como entregou um cenário ainda mais grave. “O que era ruim ficou pior”, disse o parlamentar, ao destacar que nem a parceria do governo estadual com a gestão do presidente Lula foi capaz de reverter a crise na saúde pública da Bahia.
Ele ressaltou que há meses denuncia o colapso no sistema de regulação e, mais recentemente, os atrasos no pagamento de médicos e profissionais de saúde em ao menos quatro unidades hospitalares administradas pelo Estado.
Crítica à falta de gestão
Para Alan Sanches, o problema ultrapassou o limite do aceitável e se tornou uma violação à dignidade do paciente baiano. “A situação na fila da regulação chega a ser desumana. O Governo do Estado teve recursos e oportunidades para resolver, mas não fez”, afirmou.
O deputado cobrou descentralização dos serviços e criticou a concentração de procedimentos complexos apenas na capital, o que, segundo ele, deixa o interior desassistido e empurra pacientes para longos deslocamentos.
Mutirões e descentralização como saída
O parlamentar defendeu a realização de mutirões para atender áreas de maior demanda, além de regionalizar procedimentos essenciais. Para ele, construir hospitais sem garantir gestão eficiente não resolve o gargalo histórico da saúde baiana. “É preciso levar os serviços para cada região, não adianta erguer prédios sem fazer o sistema funcionar”, cobrou.
Orçamento bilionário e empréstimos sem efeito
Sanches também questionou o uso dos recursos estaduais, lembrando que, segundo ele, a Bahia já pediu R$ 26 bilhões em empréstimos durante as últimas gestões. “Nunca se tomou tanto dinheiro emprestado e nunca o serviço funcionou tão mal”, disse.
Apesar do incremento bilionário no orçamento, o parlamentar afirma não haver justificativa para o atual quadro. Para ele, o governo falhou em transformar recursos em melhorias concretas para a população, sobretudo no atendimento mais urgente e sensível: salvar vidas na fila da regulação.
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