A sessão desta última quarta-feira (10) na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) foi dominada por reações à confusão ocorrida na véspera na Câmara dos Deputados, em Brasília. Entre críticas contundentes ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos), e manifestações de indignação com a atuação da Polícia Legislativa, parlamentares baianos usaram o Pequeno Expediente para questionar o que chamaram de ataque à democracia e ao direito de imprensa.

Os trabalhos foram abertos pela presidente da AL-BA, deputada Ivana Bastos, e posteriormente conduzidos pelo deputado Samuel Júnior (Republicanos), 1º secretário da Mesa Diretora. Logo no início, a repercussão dos episódios em Brasília tomou conta do plenário.

Hilton Coelho (Psol) classificou como “um espetáculo de horrores” a forma como o deputado federal Glauber Rocha (Psol) foi retirado da cadeira da Presidência após protestar contra Motta. O baiano criticou duramente o corte da transmissão da TV Câmara e o impedimento de jornalistas de registrarem, ao vivo, a ação dos seguranças. Para ele, o episódio representou um “ataque direto à transparência”.

Outro a mirar o Congresso foi Robinson Almeida (PT). O petista lamentou a aprovação do PL da Dosimetria, que chamou de “anistia disfarçada” para beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro, ao prever abrandamento de penas relacionadas aos atos de 8 de janeiro. Robinson aproveitou para elogiar o governador Jerônimo Rodrigues (PT), que entregou um auditório-teatro com mil lugares na Universidade Estadual de Feira de Santana.

Na mesma linha, Olívia Santana (PC do B) classificou o episódio como “um show de aberrações”. Segundo ela, o Brasil assistiu “a uma cena grotesca”, que teria sido ordenada diretamente por Hugo Motta. A deputada convocou a população a ir às ruas no domingo, dia 14, em defesa da democracia.

No campo das pautas legislativas, José de Arimateia (Republicanos) reforçou a necessidade de a Comissão do Meio Ambiente votar pareceres pendentes na próxima semana. O deputado também convidou para a sessão especial em homenagem ao Dia da Bíblia, marcada para esta quinta-feira (11), com a presença de mais de cem líderes religiosos.

Marcelino Galo (PT) usou a tribuna para defender a vereadora Eliete Paraguassu (Psol), que enfrenta um processo ético-disciplinar na Câmara Municipal de Salvador. O petista classificou a situação como “assédio moral” e acusou setores de promoverem perseguição contra a parlamentar, descrita por ele como “mulher negra, quilombola e marisqueira da Ilha de Maré”.

Já Marcinho Oliveira (PRD) celebrou a aprovação da elevação da Comarca de Santaluz à Entrância Intermediária, medida que, segundo ele, acelerará julgamentos na região. Quanto à confusão em Brasília, afirmou que o desfecho poderia ter sido outro se o PT tivesse apoiado nomes baianos como Elmar Nascimento (UB) e Antônio Brito (PSD) para presidir a Câmara.

Encerrando o bloco de pronunciamentos, Roberto Carlos (PV) relatou reunião com o governador Jerônimo Rodrigues ao lado de lideranças de Juazeiro. Segundo o deputado, foram asseguradas obras de abastecimento de água para 27 comunidades, além de asfaltamento de ruas e estradas vicinais, medida que, de acordo com ele, “vai garantir mais emprego e renda para a região”.

A expectativa é de que a crise provocada pelos episódios em Brasília continue a pautar o debate político na Bahia pelos próximos dias, com novas reações dentro e fora da ALBA.

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