Segundo pesquisa da LCA Consultoria, a participação desses débitos cresceu de 36,9% em 2018 para 46,8% em 2025

A inadimplência das famílias chegou a 5,2% em fevereiro de 2026, próxima ao pico registrado em 2012, de 5,5%. O resultado foi puxado principalmente por dívidas financeiras, cuja participação cresceu de 36,9% em 2018 para 46,8% em 2025. Os dados são do estudo “Retrato do Endividamento no Brasil”, realizado pela LCA Consultoria e encomendado pelo IBJR (Instituto Brasileiro de Jogo Responsável). 

“O nível de inadimplência atual das famílias brasileiras não é inédito na economia e já foi vivenciado em outros momentos históricos. Por outro lado, o crescimento consistente desse indicador nos últimos anos levanta questões importantes, pois é o prenúncio de consequências negativas não só para as famílias afetadas, mas para a economia como um todo. É um sinal de alerta sobre o funcionamento e os incentivos gerados no atual sistema financeiro nacional”, afirmou o estudo.

O cartão de crédito rotativo teve inadimplência elevada, chegando a 64,5% em dezembro de 2025. Já a inadimplência do crédito pessoal foi de 8,4% no mesmo mês.

Os juros do crédito livre (62% em dezembro de 2025) são significativamente superiores aos do crédito direcionado (11% no mesmo mês) e seguem em trajetória de alta, ampliando o custo do endividamento.

O impacto das apostas on-line no orçamento familiar e na inadimplência é limitado, representando 0,46% do consumo das famílias (R$ 37 bilhões em 2025), valor semelhante ao gasto com bebidas alcoólicas e inferior a outras despesas relevantes.

Pesquisa da CNC

O endividamento das famílias brasileiras subiu 0,2 p.p. (pontos percentuais) em março e atingiu o maior nível da série histórica, iniciada em 2015. A taxa subiu de 80,2% em fevereiro para 80,4% em março. Os dados foram divulgados na última 3ª feira (7.abr.2026) pela Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). Eis a íntegra do levantamento (PDF – 1 MB).

O percentual corresponde ao número de famílias que relataram ter dívidas a vencer com cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e casa.

A CNC disse que o recorde é um alerta para os próximos meses, tendo em vista os efeitos do conflito no Oriente Médio entre EUA, Irã e Israel e as consequências da alta do petróleo no bolso do consumidor.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na 2ª feira (13.abr.2026) que as medidas de alívio do endividamento das famílias serão anunciadas quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerrar a viagem pela Europa. Ele embarca em 16 de abril e retorna em 21 de abril.

O desenho do novo Desenrola Brasil está em finalização, segundo Durigan. O programa dá desconto e renegocia pendências financeiras de inadimplentes. Como forma de evitar um novo endividamento depois da utilização do programa, o governo estuda, em contrapartida, barrar o acesso a bets.

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