O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (23) que as negociações entre Washington e Teerã avançaram nas últimas horas e podem resultar em um acordo para encerrar definitivamente as hostilidades entre os dois países.

As declarações ocorreram em meio à intensificação dos esforços diplomáticos conduzidos pelo Paquistão, que vem atuando como principal mediador das conversas após o cessar-fogo temporário firmado em abril.

Em entrevista à emissora CBS News, Trump declarou que o Irã está “cada vez mais perto” de aceitar um entendimento. Mais cedo, em conversa com o portal Axios, o presidente americano classificou as chances de acordo como “50 a 50”.

Apesar do tom mais otimista, Trump voltou a ameaçar retomar ataques militares caso não haja consenso nas negociações envolvendo o programa nuclear iraniano e a estabilidade regional no Oriente Médio.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, também sinalizou avanço nas tratativas. Durante visita oficial à Índia, Rubio afirmou que poderia haver novidades diplomáticas “ainda hoje” ou nos próximos dias.

Segundo o chefe da diplomacia americana, as equipes seguem trabalhando intensamente para alcançar um entendimento entre as partes.

Do lado iraniano, autoridades também indicaram progresso. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que as posições entre Teerã e Washington estão se aproximando e que já existe perspectiva de uma solução considerada aceitável para ambos os lados.

Integrantes do governo iraniano revelaram ainda que um memorando de entendimento com 14 pontos estaria em fase final de elaboração.

As negociações vêm sendo acompanhadas de intensa movimentação diplomática. O chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, permaneceu em Teerã durante esta semana tentando aproximar as posições entre iranianos e americanos.

Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, Islamabad trabalha contra o tempo para evitar uma retomada do conflito militar e criar bases para novas rodadas de negociação.

Mesmo com os sinais positivos, o clima segue marcado por ameaças públicas dos dois lados. Trump voltou a afirmar que o Irã poderá sofrer “um golpe severo” caso não aceite os termos discutidos nas conversas diplomáticas.

Em resposta, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que as Forças Armadas do país foram reconstruídas durante o cessar-fogo e prometeu resposta mais dura caso os Estados Unidos retomem ataques.

O chanceler iraniano Abbas Araghchi também criticou o que chamou de “posições contraditórias” de Washington durante conversa com o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Além das negociações nucleares, o conflito continua impactando a segurança regional e o fornecimento global de petróleo, especialmente devido às tensões envolvendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica controlada pelo Irã.

As conversas também passaram a envolver discussões sobre a situação no Líbano. O grupo Hezbollah afirmou neste sábado que a mais recente proposta iraniana inclui exigências relacionadas ao território libanês, enquanto Israel emitiu alertas para evacuação de vilarejos no sul do país diante da possibilidade de novos ataques aéreos.

Nos bastidores, Trump deve se reunir com o vice-presidente JD Vance e com assessores da área diplomática e de segurança para discutir os próximos passos das negociações.

O conflito entre Estados Unidos e Irã entrou nesta semana em sua décima terceira semana de tensão militar e diplomática, enquanto mediadores internacionais tentam evitar uma nova escalada armada no Oriente Médio.

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