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O Sistema Único de Saúde (SUS) deu um passo histórico na oncologia brasileira ao incorporar oficialmente o sequenciamento de nova geração (NGS) para identificar mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 em mulheres com câncer de mama. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União, por meio da Portaria SCTIE/MS nº 25/2026, e estabelece prazo máximo de 180 dias para implementação da tecnologia na rede pública.
Com a medida, o SUS avança na chamada medicina de precisão, modelo que utiliza informações genéticas para direcionar diagnósticos, prognósticos e tratamentos mais personalizados. Além disso, especialistas destacam que o exame pode influenciar condutas terapêuticas, orientar cirurgias preventivas e identificar famílias inteiras com maior risco de desenvolver câncer hereditário.
Segundo o médico geneticista Paulo Zattar Ribeiro, a incorporação representa uma mudança estrutural no manejo do câncer dentro da saúde pública brasileira.
“Estamos falando da entrada definitiva da medicina de precisão no SUS. O teste genético não beneficia apenas a paciente diagnosticada. Ele também permite identificar familiares em risco e atuar antes mesmo do surgimento do câncer”, afirma.
Impacto no tratamento e na prevenção
Os genes BRCA1 e BRCA2 estão associados principalmente aos casos hereditários de câncer de mama e de ovário. Dessa forma, mulheres portadoras dessas mutações apresentam risco significativamente maior de desenvolver a doença ao longo da vida. Por isso, a identificação precoce pode influenciar diretamente decisões clínicas, incluindo escolha de terapias-alvo, definição de cirurgias e estratégias de acompanhamento.
Além do impacto individual, a nova política pública fortalece o rastreamento familiar, considerado uma das principais estratégias da oncogenética moderna. Assim, especialistas avaliam que a ampliação do acesso ao exame pode aumentar as chances de prevenção e diagnóstico precoce em diferentes gerações.
“Quando identificamos uma mutação hereditária em uma paciente, existe a possibilidade de proteger outras pessoas da família por meio de monitoramento e prevenção. Dessa maneira, uma única testagem pode ter impacto em várias gerações”, explica Paulo.
Até então, o acesso ao sequenciamento genético BRCA1/2 permanecia concentrado principalmente na rede privada, onde os custos elevados frequentemente levavam pacientes do SUS à judicialização. Agora, porém, a expectativa é ampliar a oferta da tecnologia em centros públicos especializados.
Estrutura e acompanhamento especializado
Apesar do avanço, especialistas alertam que a ampliação do acesso exigirá estrutura adequada para aconselhamento genético e interpretação dos resultados. Isso porque o exame, sozinho, não encerra o processo de cuidado.
“O exame isoladamente não resolve tudo. Portanto, é fundamental que exista acompanhamento especializado para orientar pacientes e familiares sobre o significado clínico dessas mutações e os próximos passos”, destaca o geneticista.
Além disso, profissionais da área reforçam que a implementação da tecnologia precisará vir acompanhada de investimentos em capacitação técnica e organização da rede assistencial. Caso contrário, a ampliação da oferta pode enfrentar dificuldades operacionais nos serviços públicos.
A decisão do Ministério da Saúde ocorre em um cenário de crescimento global da oncogenética e do uso de testes moleculares no tratamento do câncer. Nos últimos anos, o avanço das terapias personalizadas aumentou a relevância dos exames genéticos como ferramenta estratégica para definição terapêutica. Nesse contexto, a incorporação do exame pelo SUS aproxima o Brasil de práticas já adotadas em sistemas de saúde de outros países.
O que diz a portaria
A Portaria SCTIE/MS nº 25, de 11 de maio de 2026, publicada no Diário Oficial da União em 13 de maio de 2026, determina:
“Art. 1º Incorporar, no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS, o sequenciamento de nova geração (NGS) para identificação de mutação nos genes BRCA1/2 em mulheres com câncer de mama.”
Além disso, o texto estabelece:
“Art. 2º […] prazo máximo de 180 dias para efetivar a oferta no SUS.”
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