Apresentador afirmou que beneficiários buscariam “atalhos” para permanecer no programa por tempo indeterminado

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias (PT), voltou a criticar o apresentador Luciano Huck nesta 4ª feira (27.mai.2026). Dias classificou as recentes declarações de Huck sobre o Bolsa Família como um reforço a preconceitos históricos contra a população de baixa renda no Brasil.

Durante o 5º Fórum Esfera no último sábado (23.mai), no Guarujá (SP), o apresentador afirmou que o programa social não cria estímulos para que as famílias o deixem e que os beneficiários buscariam “atalhos” para permanecer “ad aeternum [para sempre] recebendo o auxílio. 

Ao comentar a declaração de Huck, Wellington Dias afirmou que a fala do apresentador “foi feia”. 

Esta é a 2ª manifestação pública de Dias sobre o episódio. Na 2ª feira (25.mai), ele já havia publicado um vídeo nas redes sociais contestando dados levados por Huck sobre a economia do município de Senhor do Bonfim (BA), ocasião em que afirmou que “a falta de informação também é uma arma perigosa”. 

Ministro rebate com dados 

Para contrapor a tese de falta de estímulo, Wellington Dias apresentou números recentes do Bolsa Família. Segundo ele, desde 2023, 5,1 milhões de famílias deixaram o programa por terem superado a linha da pobreza. 

“Essas famílias passaram a trabalhar. Foram trabalhar em supermercado, em empresa de energia, no setor público. Tem gente que abriu pequeno negócio”, afirmou. 

Atualmente, 7,1 milhões de famílias beneficiárias possuem emprego formal ou algum tipo de atividade econômica autônoma. O ministro detalhou o motivo de elas continuarem recebendo o auxílio mesmo estando inseridas no mercado de trabalho: 

“Se a família está trabalhando, ganha um salário mínimo, mas tem seis ou sete pessoas na casa, ela não saiu da pobreza”, disse, exemplificando as regras de cálculo per capita do programa. 

Ao final, Dias defendeu a necessidade urgente de combater estigmas sociais e destacou o papel humanitário da assistência social. “É preciso aproveitar fatos como esse para que a gente enterre de vez o preconceito que se tem com os mais pobres. Programas como esse garantem às pessoas que elas nunca mais serão humilhadas”, disse. 

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