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Aos 19 anos, Carolina Aranha precisou interromper a prova do vestibular para Medicina depois de apresentar os primeiros sintomas de uma doença que ainda desconhecia. Meses depois, entre o fim de 2015 e o início de 2016, recebeu o diagnóstico de Esclerose Múltipla. Desde então, continuou os estudos e construiu a carreira médica. Hoje, atua como generalista em um pronto-socorro de Santos e utiliza a própria experiência para acolher pacientes que chegam à emergência com sintomas neurológicos.

O primeiro episódio aconteceu em novembro de 2015, enquanto Carolina fazia a prova para Medicina da Unicamp. Após apresentar os sintomas, ela deixou o exame e foi ao hospital. A confirmação veio nos meses seguintes.

Naquele período, algumas pessoas chegaram a dizer que Carolina deveria desistir do plano de cursar Medicina. No entanto, o incentivo do pai e o apoio da família fizeram com que ela continuasse tentando. Depois de algumas tentativas no vestibular, ingressou no curso de Medicina da Unimes, em Santos.

Assim, a doença passou a acompanhar uma trajetória que também envolvia a formação profissional. Atualmente, Carolina trabalha na emergência e recebe pacientes que chegam com sintomas repentinos, incl

Foto: Dr.Carolina Aranha\Divulgação

usive aqueles que podem estar relacionados à Esclerose Múltipla.

O que é a Esclerose Múltipla?

A Esclerose Múltipla é uma doença autoimune, inflamatória e crônica que afeta o Sistema Nervoso Central. Nesse quadro, o sistema imunológico ataca estruturas do próprio organismo, entre elas a bainha de mielina.

Essa camada protege as fibras nervosas e ajuda na transmissão dos impulsos entre o cérebro e outras partes do corpo. Quando a mielina sofre danos, essa comunicação pode ser prejudicada.

A doença pode apresentar manifestações diferentes de acordo com cada paciente. Entre os sintomas citados no material estão fadiga intensa, alterações visuais, formigamentos e perda de força muscular.

Segundo os dados apresentados no material de origem, a Esclerose Múltipla afeta cerca de 40 mil pessoas no Brasil e mais de 2,8 milhões no mundo. O texto atribui esses números à Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM) e à Federação Internacional de Esclerose Múltipla (MSIF).

Quem pode desenvolver a doença?

A Esclerose Múltipla aparece com maior frequência em mulheres e costuma ser diagnosticada entre os 20 e os 40 anos. No entanto, a doença pode atingir diferentes grupos.

Embora exista predisposição genética, a condição não apresenta hereditariedade direta. Segundo o material de origem, diferentes fatores podem participar do seu desenvolvimento.

Entre eles estão baixa exposição solar, deficiência de vitamina D, infecções anteriores pelo vírus Epstein-Barr e tabagismo. A presença desses fatores, isoladamente, não significa que uma pessoa desenvolverá a doença.

Como funcionam os surtos?

Carolina tem a forma Remitente-Recorrente da Esclerose Múltipla (EMRR). De acordo com o material fornecido, essa forma corresponde a cerca de 85% dos casos iniciais.

Nesse tipo da doença, podem ocorrer os chamados surtos. Eles acontecem quando surgem novos sintomas neurológicos ou quando manifestações anteriores pioram por mais de 24 horas, sem a presença de febre ou infecção.

Durante esses episódios, o paciente pode apresentar alterações na visão, formigamentos, fraqueza muscular ou fadiga intensa, por exemplo. A manifestação depende da região do Sistema Nervoso Central afetada.

Por isso, sintomas neurológicos novos ou uma piora significativa não devem ser interpretados automaticamente como um surto. A avaliação médica ajuda a identificar a causa e definir a conduta adequada.

Por que o calor pode piorar os sintomas?

A adaptação ao clima de Santos também trouxe desafios para Carolina. Inicialmente, ela tinha receio do calor porque o aumento da temperatura corporal pode provocar o fenômeno de Uhthoff.

Nessa situação, alguns sintomas neurológicos podem piorar temporariamente. Carolina, por exemplo, relata ter percebido aumento de formigamentos no couro cabeludo.

Por causa do receio dos efeitos do calor e da fadiga, ela passou anos evitando atividades físicas. Entretanto, essa relação mudou depois de conversar com o neurologista Leonardo de Deus.

Com orientação médica, Carolina passou a incluir exercícios na rotina. Atualmente, pratica musculação e beach tennis e procura respeitar os limites do próprio corpo.

Experiência como paciente ajuda no atendimento

A rotina no pronto-socorro colocou Carolina diante de situações que também fazem parte da sua própria história. Muitas pessoas chegam à emergência assustadas depois do aparecimento repentino de sintomas.

Nesse contexto, a experiência pessoal ajuda a médica a compreender parte das dúvidas e inseguranças de quem procura atendimento. Além disso, ela participa da avaliação inicial e orienta o paciente sobre a continuidade do acompanhamento especializado.

“Muitas pessoas chegam assustadas com os sintomas repentinos. Por vivenciar a doença e conhecer o caminho do tratamento, consigo tranquilizar o paciente, realizar a abordagem inicial necessária e orientar os passos seguintes até o acompanhamento com a neurologia”, relata.

Apesar da experiência com a doença, Carolina decidiu não seguir carreira na Neurologia. Em vez disso, prepara-se para uma especialização em Ortopedia.

A escolha, segundo o material, permite que ela mantenha a Neurologia principalmente relacionada à sua experiência como paciente. Enquanto isso, sua atuação profissional ficará voltada ao cuidado do sistema musculoesquelético.

Diagnóstico não interrompeu os planos de Carolina

A trajetória também mudou a forma como Carolina encara o estigma relacionado à Esclerose Múltipla. Quando recebeu o diagnóstico, ouviu que deveria abandonar o projeto de cursar Medicina. Ainda assim, continuou estudando e construiu a carreira que havia planejado.

Por isso, a experiência pessoal passou a fazer parte de sua atuação na conscientização sobre a doença. Para Carolina, pessoas recém-diagnosticadas podem enfrentar medo e incerteza, principalmente quando associam a Esclerose Múltipla à interrupção dos próprios planos.

A experiência da médica, contudo, não significa que todos os pacientes terão a mesma evolução. A doença apresenta diferentes manifestações e pode afetar cada pessoa de maneira distinta.

Imagem: Magnific

Agosto Laranja reforça a conscientização

A discussão sobre a doença ganha espaço durante o Agosto Laranja, campanha dedicada à conscientização sobre a Esclerose Múltipla. Além disso, o calendário inclui o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla, celebrado em 30 de agosto.

A campanha reforça a importância da informação e do conhecimento sobre a doença. Dessa forma, também contribui para ampliar o debate sobre os desafios enfrentados por quem recebe o diagnóstico.

Para Carolina, falar sobre a própria experiência é uma maneira de combater o estigma e mostrar que a doença não precisa definir a trajetória de uma pessoa.

“A mensagem mais importante para quem recebe esse diagnóstico é buscar a resiliência. A Esclerose Múltipla não define quem você é e não deve ser motivo para desistir dos seus sonhos. É plenamente possível ter qualidade de vida, exercer sua profissão e construir um futuro com bem-estar”.

A história de Carolina reúne, portanto, duas perspectivas sobre a Esclerose Múltipla. De um lado, está a paciente que recebeu o diagnóstico ainda jovem. Do outro, está a médica que hoje atende pessoas em uma emergência. Entre essas duas experiências, ela encontrou uma forma de transformar a própria trajetória em acolhimento e conscientização.

Fonte: clique aqui.

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