A campanha do presidente Lula da Silva (PT) tenta conter o desgaste político provocado pela divulgação de fotos do candidato ao lado da empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal em apurações que também envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
O episódio ganhou força após Lula afirmar, durante entrevista ao Jornal Nacional na quinta-feira (27), que nunca havia visto a empresária e que não mantinha qualquer contato com ela. Após a entrevista, passaram a circular nas redes sociais diversos registros em que os dois aparecem juntos. Segundo a CNN Brasil, Roberta publicou pelo menos 12 fotos com o presidente em suas redes sociais, incluindo imagens relacionadas à campanha eleitoral de 2022.
Diante da repercussão, a campanha divulgou uma nota na sexta-feira (28) afirmando que a existência das fotografias não significa que Lula tenha mantido relação pessoal, profissional ou política com Roberta.
“A existência desses registros não significa relação pessoal, profissional ou política”, afirmou a equipe do presidente.
A campanha acrescentou que Lula, por ser uma figura pública, é frequentemente abordado por pessoas para fotografias durante eventos, agendas públicas e períodos eleitorais.
Declaração no Jornal Nacional aumenta pressão
Durante a entrevista, a jornalista Renata Vasconcellos questionou Lula sobre Roberta Luchsinger e sobre as investigações envolvendo a empresária e Lulinha.
Na ocasião, o presidente respondeu que não conhecia Roberta, nunca havia conversado com ela e que ela nunca esteve próxima dele. A declaração passou a ser explorada politicamente depois que imagens dos dois juntos foram recuperadas e divulgadas.
Aliados do presidente reconheceram que a resposta provocou uma dificuldade adicional para a campanha. A CNN Brasil informou que integrantes do grupo classificaram a declaração como uma “derrapada” e avaliaram que o episódio acabou oferecendo munição aos adversários.
Lula teria sido avisado sobre as fotos
A repercussão aumentou depois de informações de que Lula já teria sido alertado sobre a existência de pelo menos uma das imagens antes da entrevista.
Segundo apuração da CNN Brasil, um aliado mostrou ao presidente, em meados de agosto, uma fotografia na qual ele aparecia ao lado de Roberta. O episódio teria ocorrido durante um encontro com petistas de São Paulo no Palácio da Alvorada.
A informação coloca a declaração dada no Jornal Nacional no centro da estratégia de comunicação da campanha, que agora tenta estabelecer a interpretação de que os registros fotográficos não comprovam qualquer vínculo entre o presidente e a empresária.
Adversários exploram imagens
A oposição aproveitou a repercussão para aumentar a pressão sobre o presidente. O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou nas redes sociais quatro fotografias de Lula ao lado de Roberta após a entrevista.
As imagens mostram diferentes momentos de proximidade entre os dois, incluindo registros publicados anteriormente pela própria empresária.
O episódio passou a integrar o debate eleitoral de 2026 e pode ser utilizado pelos adversários para questionar as declarações de Lula sobre seu conhecimento a respeito da empresária.
Roberta é investigada pela Polícia Federal
Roberta Luchsinger ficou conhecida publicamente pela proximidade atribuída a Lulinha. Ela e o filho do presidente são investigados em inquéritos da Polícia Federal que apuram suspeitas relacionadas a tráfico de influência.
Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, mensagens obtidas pela investigação mostram a empresária afirmando ter acesso ao presidente e a integrantes do governo. Em um dos diálogos, ela teria dito que Lula teria oferecido a ela um cargo na administração federal, embora tenha afirmado que preferiu manter negócios com Lulinha.
As suspeitas ainda estão sob investigação, e a existência das fotografias não constitui, por si só, prova de irregularidade ou de vínculo ilícito entre Lula e Roberta.
Presidente defende filho e fala em responsabilização
Durante a mesma entrevista, Lula também foi questionado sobre as investigações envolvendo Lulinha. O presidente afirmou que as suspeitas são baseadas em “ilações tiradas de telefonemas” e declarou que o filho deverá responder caso seja comprovada alguma irregularidade.
“Se ele for culpado, pagará o preço. Se não for, será inocentado”, afirmou.
A declaração segue a linha adotada pelo presidente diante das investigações, ao defender o direito de o filho ser investigado, mas rejeitar antecipadamente qualquer conclusão sobre sua responsabilidade.
Campanha tenta virar a página
Com a repercussão das fotografias, a campanha de Lula passou a trabalhar para reduzir o impacto político do episódio e reforçar a versão de que os registros ocorreram em situações públicas, sem representar necessariamente uma relação entre o presidente e a empresária.
O caso, porém, ganhou espaço em plena campanha eleitoral e se soma a outras questões envolvendo Lulinha e pessoas próximas ao núcleo político do presidente.
A estratégia da equipe petista será evitar que as imagens e a declaração no Jornal Nacional se transformem em uma crise maior durante a disputa pela Presidência. Para os adversários, entretanto, a contradição entre a afirmação de Lula e a existência de diversos registros fotográficos deve continuar sendo explorada ao longo da campanha.
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