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A inatividade física entre adolescentes preocupa diante do tempo cada vez maior dedicado a celulares, videogames, computadores e serviços de streaming. Segundo dados analisados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 80% dos adolescentes no mundo e 84% no Brasil não atingiam a recomendação mínima de atividade física.

Os dados, porém, correspondem a uma análise com informações coletadas entre 2001 e 2016. Portanto, eles não representam um retrato específico da situação em 2026. Ainda assim, ajudam a dimensionar o cenário de baixa prática de atividade física entre adolescentes.

A OMS recomenda que jovens de 11 a 17 anos pratiquem pelo menos 60 minutos de atividade física moderada a vigorosa por dia. A recomendação considera atividades que aumentem a frequência cardíaca e contribuam para o desenvolvimento físico.

A própria OMS define como atividade física insuficiente a prática abaixo desse período diário. Indicador da OMS sobre atividade física insuficiente

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Excesso de telas pode reduzir oportunidades de movimento

Atualmente, celulares, videogames, computadores e plataformas de streaming ocupam parte significativa da rotina de muitos adolescentes. Com isso, o tempo dedicado às telas pode reduzir oportunidades para brincar, praticar esportes e realizar outras atividades que envolvam movimento.

No entanto, o uso de telas não determina sozinho a ocorrência de inatividade física. A rotina, o acesso a espaços para prática esportiva, os hábitos familiares e as oportunidades oferecidas ao adolescente também influenciam esse comportamento.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) orienta que famílias estabeleçam limites para o uso de telas e estimulem atividades físicas, brincadeiras e outras formas de convivência. Além disso, a entidade recomenda evitar o uso de dispositivos durante a noite.

Impactos da falta de atividade física

A baixa prática de atividade física durante a adolescência pode aumentar o risco de diferentes problemas de saúde ao longo da vida. Entre eles estão obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares.

Além dos efeitos físicos, a falta de atividade também pode afetar a saúde mental. Por isso, incentivar o movimento desde cedo contribui para o desenvolvimento físico, emocional e social dos adolescentes.

Nesse sentido, o Guia de Atividade Física para a População Brasileira, elaborado pelo Ministério da Saúde, reúne orientações sobre a prática de atividades físicas em diferentes fases da vida, incluindo crianças e adolescentes.

Movimento também pode favorecer a rotina escolar

Além dos benefícios para a saúde, a prática regular de exercícios pode contribuir para aspectos importantes da rotina dos adolescentes. Concentração, memória, qualidade do sono e disposição podem melhorar com uma rotina que inclua atividade física.

Esses fatores também podem influenciar a relação do adolescente com os estudos e favorecer condições mais adequadas para o aprendizado. Por isso, a prática de exercícios não precisa ser vista apenas como uma forma de prevenir doenças.

De acordo com Guilherme Reis, profissional de educação física e diretor técnico da Rede Alpha Fitness, a adolescência representa um período importante para a formação de hábitos:

“A adolescência é uma fase decisiva para a construção de hábitos que tendem a acompanhar a pessoa por toda a vida. Quando o jovem incorpora a atividade física à rotina, ele melhora o condicionamento, fortalece músculos e ossos, desenvolve disciplina e ainda reduz os níveis de estresse e ansiedade”

Como incentivar adolescentes a se movimentarem

Para as famílias, um dos principais desafios consiste em equilibrar o ambiente digital com atividades presenciais. Nesse processo, pais e responsáveis podem estimular hábitos mais saudáveis e ajudar o adolescente a encontrar uma modalidade com a qual se identifique.

Além disso, a atividade física não precisa seguir um único modelo. Caminhadas, esportes, dança, natação, lutas e exercícios funcionais podem fazer parte da rotina, desde que sejam adequados à idade e às condições de cada pessoa.

Guilherme Reis destaca que o interesse do adolescente deve ser considerado na escolha:

Não existe um exercício ideal. O mais importante é encontrar uma atividade que desperte interesse e possa ser praticada de forma regular. Musculação, esportes coletivos, dança, natação, lutas e treinos funcionais são algumas das opções que ajudam a tornar o movimento parte da rotina e contribuem para uma vida mais saudável”

Assim, em vez de apenas retirar tempo das telas, a família pode criar oportunidades para que o adolescente tenha contato com diferentes formas de movimento. A participação dos responsáveis também pode ajudar a transformar a atividade física em um hábito mais constante.

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Acompanhamento ajuda a garantir uma prática adequada

O acompanhamento familiar também ganha importância quando o adolescente começa uma nova atividade. Afinal, a prática deve respeitar a idade, o nível de condicionamento e as características individuais.

O SUS também orienta adolescentes a praticarem 60 minutos ou mais de atividade física por dia e recomenda evitar períodos prolongados de comportamento sedentário. As orientações ainda destacam a importância de organizar a rotina para incluir estudos, atividade física, alimentação, descanso e sono. Linhas de Cuidado do SUS para adolescentes

No caso específico da Rede Alpha Fitness, a instituição informa que aceita adolescentes a partir dos 12 anos, desde que tenham autorização de um responsável. Essa regra pertence à própria academia e não representa uma recomendação geral sobre a idade mínima para iniciar atividade física.

Dessa forma, incentivar o movimento na adolescência envolve mais do que estabelecer limites para celulares e outros dispositivos. Criar uma rotina equilibrada, oferecer diferentes possibilidades de atividade e considerar os interesses do jovem pode facilitar a construção de hábitos que permaneçam na vida adulta.

A OMS também reúne orientações sobre os benefícios da atividade física e os riscos associados à sua insuficiência.

 

 

 

 

 

 

 

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