A busca por dentes mais brancos tem levado consumidores a recorrer a receitas caseiras, fitas clareadoras e produtos encontrados facilmente na internet. Embora essas alternativas pareçam práticas, o uso sem avaliação de um cirurgião-dentista pode provocar problemas na saúde bucal e comprometer dentes e gengivas.
Entre as opções que circulam nas redes sociais estão o uso de bicarbonato de sódio, carvão ativado e limão, além de fitas e géis clareadores. O problema está principalmente na utilização inadequada, sem considerar a condição dos dentes, a saúde da gengiva, a concentração das substâncias e a indicação correta para cada paciente.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pode ajudar o consumidor a verificar informações sobre produtos e tratamentos odontológicos oferecidos pela internet. Segundo a agência, produtos clareadores precisam estar regularizados e o uso inadequado pode provocar desde sensibilidade dentária até alterações na estrutura dos dentes.
Clareamento deve começar com avaliação odontológica
O clareamento dental não deve ser tratado como um procedimento puramente estético que qualquer pessoa pode realizar de maneira indiscriminada. Antes de escolher um produto ou uma técnica, o paciente precisa verificar as condições de saúde da boca.
A avaliação permite identificar situações que podem interferir no tratamento e ajuda o profissional a definir qual procedimento atende às necessidades de cada pessoa.
“Antes de se submeter a qualquer tratamento de clareamento dental, é fundamental que o paciente procure um cirurgião-dentista para avaliação. É necessário analisar as condições da saúde bucal e identificar possíveis fatores que possam interferir no procedimento ou exigir cuidados específicos. A partir dessa avaliação, o profissional poderá indicar a técnica mais adequada e segura para cada caso.”, explica Dra. Luísa Casado.
Além de indicar a técnica, o dentista acompanha a resposta dos dentes e dos tecidos da boca ao longo do tratamento.
Fitas clareadoras exigem atenção
As fitas e os géis utilizados no clareamento podem conter peróxido de hidrogênio, substância que atua no processo de clareamento. A concentração e a forma de utilização influenciam a segurança do procedimento.
Segundo a Anvisa, os produtos destinados ao clareamento dental podem se enquadrar em diferentes categorias regulatórias conforme a concentração de peróxido de hidrogênio. A agência também determina que os produtos comercializados cumpram as exigências de regularização correspondentes à categoria.
Em março de 2026, a Anvisa determinou o recolhimento de fitas clareadoras que apresentavam irregularidades. A medida atingiu produtos da linha Oiwhite e determinou a proibição de comercialização, distribuição, importação, publicidade e uso.
A agência publicou, em julho de 2026, uma orientação específica sobre os riscos de tratamentos odontológicos caseiros oferecidos pela internet. No material, a Anvisa alerta que o uso inadequado de produtos clareadores pode causar problemas que vão da sensibilidade dentária a alterações na estrutura dos dentes.
O uso inadequado também pode provocar irritação da gengiva e outros danos aos tecidos da boca. Em situações que envolvem concentrações mais elevadas e utilização incorreta, os riscos podem aumentar.
Por isso, encontrar uma fita ou um gel à venda na internet não significa que o produto seja adequado para qualquer pessoa ou que o consumidor possa utilizá-lo sem orientação.
Bicarbonato clareia os dentes?
O bicarbonato de sódio aparece com frequência em receitas caseiras para deixar os dentes aparentemente mais claros. A substância pode ajudar a remover algumas manchas superficiais, mas isso não significa que ela promova o clareamento da estrutura dental.
A utilização frequente ou inadequada de substâncias abrasivas pode aumentar o desgaste da superfície dos dentes. Por isso, o resultado visual obtido com uma receita caseira não deve ser confundido com o clareamento dental realizado por meio de uma técnica indicada por um profissional.
“O bicarbonato e o carvão ativado podem dar uma impressão superficial de dentes mais limpos e claros porque removem algumas manchas externas, mas isso não significa que estejam de fato clareando a estrutura dental”, alerta Dra. Luísa Casado.
O mesmo cuidado vale para o carvão ativado, que ganhou popularidade nas redes sociais como alternativa para clareamento. A aparência de dentes mais limpos após a remoção de determinadas manchas superficiais não significa, necessariamente, que o produto tenha clareado a estrutura dental.
Limão pode aumentar o risco de desgaste
Outra receita que circula na internet utiliza limão sozinho ou combinado com bicarbonato de sódio. Nesse caso, a atenção deve ser ainda maior porque o limão é uma substância ácida, e o contato frequente com os dentes pode favorecer a erosão do esmalte.
A combinação com uma substância abrasiva pode aumentar a agressão à superfície dental. Por isso, receitas que associam componentes ácidos e abrasivos não devem ser tratadas como alternativas inofensivas ao clareamento profissional.
“Quando a pessoa utiliza uma substância ácida e depois associa a um produto abrasivo, pode criar uma combinação que agride o esmalte dos dentes. Da mesma forma, o fato de um produto estar disponível na internet não significa que ele seja adequado para todos os pacientes. Para realizar um clareamento, é necessário avaliar a condição dos dentes, a saúde da gengiva e o histórico de cada pessoa. A alternativa mais segura é realizar o procedimento com avaliação e acompanhamento de um cirurgião-dentista.”, ressalta.
A procedência também merece atenção. Antes de utilizar qualquer produto clareador, o consumidor precisa considerar a concentração da substância, a regularização, a indicação e a forma correta de aplicação.
Produto vendido na internet não é sinônimo de produto seguro
A facilidade para encontrar fitas, géis e outros produtos clareadores em plataformas digitais pode criar a impressão de que o procedimento é simples e dispensa avaliação profissional.
A Anvisa, entretanto, orienta que os produtos utilizados para clareamento dental estejam regularizados de acordo com sua categoria. A agência também oferece sistemas de consulta para verificar informações sobre produtos e sua situação regulatória.
Esse cuidado importa porque a venda pela internet não substitui a avaliação da saúde bucal. Além disso, um produto indicado para determinado paciente pode não atender às necessidades de outra pessoa.
A consulta com um cirurgião-dentista também permite identificar condições que podem exigir cuidados específicos antes do clareamento.
Clareamento caseiro não é o mesmo que receita caseira
É importante diferenciar duas situações que costumam gerar confusão.
O clareamento caseiro supervisionado representa uma modalidade de tratamento odontológico que o profissional indica e acompanha. Já as receitas caseiras envolvem o uso, por conta própria, de substâncias como bicarbonato, carvão ativado ou limão, sem avaliação individualizada.
No clareamento supervisionado, o dentista define a técnica e acompanha o tratamento de acordo com as condições apresentadas pelo paciente.
Por isso, o fato de o tratamento acontecer em casa não significa que ele seja equivalente a uma receita encontrada nas redes sociais.
Quais são as técnicas de clareamento dental?
Entre as possibilidades de tratamento estão o clareamento realizado em consultório e o clareamento caseiro supervisionado, que pode utilizar moldeira personalizada e produto indicado pelo cirurgião-dentista.
Também existem situações em que diferentes técnicas podem ser combinadas. A escolha depende da avaliação individual, das condições de saúde bucal e dos objetivos do paciente.
No procedimento realizado em consultório, o profissional acompanha diretamente a aplicação do produto durante as sessões. Já no método caseiro supervisionado, o paciente segue as orientações recebidas e utiliza os produtos indicados pelo dentista.
A escolha da técnica não deve ocorrer apenas com base na promessa de um resultado mais rápido. O profissional precisa considerar as características de cada paciente e alinhar as expectativas antes do início do tratamento.
“Existem formas de realizar o clareamento dental, mas não existe uma técnica única que seja ideal para todo mundo. O procedimento em consultório e o caseiro supervisionado são opções seguras se forem indicadas e acompanhadas pelo profissional. A escolha depende da avaliação e das expectativas que precisam ser alinhadas entre dentista e paciente.”, explica Dra. Luísa Casado.
Assim, clarear os dentes com segurança começa pela avaliação da saúde bucal, e não pela escolha de uma receita ou produto encontrado na internet. A orientação profissional permite definir a técnica adequada e reduzir os riscos associados ao uso incorreto de substâncias clareadoras.
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