Os comandos de PP e União Brasil agendaram para esta terça-feira 6 as reuniões de suas executivas nacionais para definir quem apoiarão no segundo turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Os encontros foram marcados para às 16h, na sala do colégio de líderes da Câmara dos Deputados. Ambos os convites, enviados a deputados federais, senadores e representantes dos diretórios estaduais das duas legendas, ressaltam a importância da participação dos filiados.

De acordo com relatos colhidos por CartaCapital, a tendência entre dirigentes das duas siglas é de apoio a Flávio, mas há integrantes que defendem uma posição mais flexível, com a liberação dos diretórios estaduais para apoiar qualquer um dos candidatos sem punição. PP e União Brasil formam uma federação partidária desde agosto de 2025 e, pela regra, precisam adotar uma posição comum nas eleições.

Os presidentes das duas legendas, Ciro Nogueira (PP-PI) e Antônio de Rueda (União Brasil), devem participar das reuniões. O primeiro é considerado um dos principais defensores do apoio a Flávio. Ele deixará o Senado em fevereiro, após ser derrotado na tentativa de reeleição no Piauí, onde Lula venceu neste domingo 4.

A derrota do pepista agravou o rompimento de um suposto pacto de não agressão que ele mantinha com o presidente da República no estado, arranjo revelado pelo jornal Folha de São Paulo. Esse acordo, no entanto, foi desfeito depois que Lula foi ao estado, fez críticas indiretas ao presidente do PP e declarou apoio aos agora senadores eleitos Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD).

No União Brasil, Rueda e outros dirigentes têm adotado cautela. Uma das condições discutidas para um eventual apoio ao filho de Jair Bolsonaro é que o PL apoie a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) à presidência do Senado, em fevereiro de 2027. O acordo seria relevante para a composição política da próxima legislatura e para o grupo de Alcolumbre na Casa, onde o partido conseguiu eleger

A possibilidade de apoio a Flávio também ganhou força com o fim das disputas estaduais e proporcionais. No primeiro turno, a federação optou pela neutralidade para preservar alianças locais, especialmente em estados do Nordeste onde havia maioria pró-Lula internamente.

Na Paraíba, por exemplo, o governador eleito Lucas Ribeiro (PP) fez campanha ao lado do petista. No Maranhão, o ex-ministro André Fufuca (PP) foi eleito senador, embora não tenha integrado a chapa apoiada formalmente pelo presidente.

Interlocutores do governo Lula também atuaram para afastar a União Progressista do projeto do PL, evitando que Flávio Bolsonaro ampliasse proporcionalmente sua participação no horário eleitoral.

Aliados do presidente trabalham para que a federação mantenha a neutralidade no segundo turno, mas foram alertados de que o cenário é menos favorável.

A avaliação é que caciques das duas siglas já tratam a vitória de Flávio como uma possibilidade consolidada e buscam se posicionar de acordo com as forças que deverão prevalecer na próxima legislatura – no Centrão, nunca é demais lembrar, prevalece a máxima de que, em tempos de incerteza, vale garantir primeiro o próprio quinhão.

Horas depois do resultado de domingo, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, anunciou que o partido manterá neutralidade no segundo turno e liberará os diretórios estaduais para definir seus apoios. A decisão reproduz a estratégia adotada pela sigla na primeira fase da eleição, quando lançou Ronaldo Caiado na corrida presidencial, mas deu liberdade para a definição dos arranjos locais.

No MDB, o cenário é mais incerto. O partido tendia à neutralidade, posição sustentada sobretudo pelo peso da ala alinhada a Lula. As urnas, porém, enfraqueceram esse grupo, do qual fazem parte os senadores Renan Calheiros e Renan Filho (AL) – ambos foram derrotados no primeiro turno.

O Republicanos, por sua vez, vive uma encruzilhada. Flávio Bolsonaro mantém uma relação fria com o presidente nacional da sigla, deputado Marcos Pereira (SP), e a legenda abriga uma forte ala bolsonarista, representada pelo governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Ao mesmo tempo, tem à frente da Câmara dos Deputados Hugo Motta, que fez campanha para Lula na Paraíba na tentativa de eleger seu pai, Nabor Wanderley, ao Senado, sem sucesso.

Hoje, apurou a reportagem, a tendência é que o partido também adote a neutralidade e libere os diretórios para apoiar qualquer um dos candidatos. A estratégia preservaria Motta, que enfrenta resistências do bolsonarismo e se aproximou de Lula ao longo do mandato para sustentar sua posição no comando da Casa.

Fonte: Clique aqui

Créditos do autor: Wendal Carmo

Créditos da imagem: Reprodução/Divulgação