Com o fim do recesso informal provocado pelo Carnaval, Câmara e Senado retomam os trabalhos sob forte tensão política. Governo e oposição chegam ao Congresso Nacional com agendas distintas, disputas estratégicas e projetos sensíveis que prometem travar o debate nas próximas semanas.
Na base governista, o foco recai sobre matérias ligadas à segurança pública, enquanto a oposição articula pressão para derrubar vetos do presidente Lula da Silva (PT) e instalar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito.
Impasse sobre o PL Antifacção
Na Câmara dos Deputados, o PT enfrenta um dilema político em torno do Projeto de Lei Antifacção, aprovado por unanimidade no Senado e devolvido à Casa após alterações no texto. A controvérsia está concentrada na relatoria, assumida pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP), nome que provoca resistência na base aliada.
Em regime de urgência, o projeto precisa ser votado até 19 de fevereiro. Caso contrário, passa a trancar a pauta da Câmara, o que pode levar ao seu engavetamento. A liderança do PT avalia se pede a retirada formal da proposta para evitar desgaste político interno.
O líder da sigla na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), defende que o tema da segurança exige celeridade e indicou que a bancada ainda discutirá a melhor estratégia antes de qualquer decisão definitiva.
PEC da Segurança Pública entra no radar
Outra prioridade do governo é a Proposta de Emenda Constitucional da Segurança Pública. O relator, Mendonça Filho (União Brasil-PE), prevê apresentar um texto substitutivo às bancadas, com tramitação acelerada na comissão especial e posterior envio ao plenário.
A proposta é vista como central para a narrativa governista de enfrentamento ao crime organizado, especialmente em meio ao debate público sobre violência e atuação de facções.
Oposição pressiona por vetos e CPMI
Do lado da oposição, a principal cobrança é pela convocação de uma sessão conjunta do Congresso para analisar o veto presidencial ao PL da Dosimetria, derrubado integralmente por Lula. Parlamentares contrários ao governo veem no veto um símbolo de interferência excessiva do Executivo no Judiciário e no Legislativo.
Outra frente de pressão envolve a instalação da CPMI do Banco Master. O requerimento, apresentado pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ), reúne apoio expressivo no Congresso, com 280 assinaturas, sendo 238 deputados e 42 senadores.
Alcolumbre segura criação da CPMI
A criação formal da CPMI depende agora do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), responsável pela leitura do requerimento em plenário. Até o momento, o senador evita sinalizar se dará andamento imediato ao pedido, o que amplia a tensão entre oposição e cúpula do Legislativo.
Após a leitura, a comissão ainda precisará ser instalada, com indicação de membros, escolha de presidente e relator. A oposição já sinaliza que pretende convocar figuras de peso para depor, ampliando o potencial de desgaste político do governo.
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