O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, reagiu nesta quarta-feira (20) à acusação formal apresentada pelos Estados Unidos contra o ex-presidente cubano Raúl Castro. O governo cubano classificou a medida como uma “ação política” e afirmou que Washington tenta construir uma narrativa para ampliar a pressão internacional e justificar possíveis ações contra Havana.

Segundo Díaz-Canel, as acusações divulgadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos não possuem fundamento jurídico e fazem parte de uma estratégia política do governo do presidente Donald Trump. Em nota oficial, o líder cubano afirmou que os EUA “mentem e manipulam” os fatos relacionados ao episódio envolvendo aeronaves do grupo Hermanos al Rescate, abatidas em 1996.

O caso voltou ao centro da crise diplomática entre os dois países após autoridades americanas anunciarem uma denúncia criminal contra Raúl Castro por conspiração para matar cidadãos americanos, quatro assassinatos e destruição de aeronaves. A acusação foi apresentada em um tribunal federal de Miami e também envolve outros cinco investigados.

De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, o processo está ligado ao abate de dois aviões pertencentes ao grupo Hermanos al Rescate, formado por exilados cubanos. As aeronaves foram derrubadas por caças MiG-29 da Força Aérea Cubana em fevereiro de 1996, em uma operação que resultou na morte de quatro pilotos americanos.

Na época, o governo de Cuba alegou que os aviões teriam invadido o espaço aéreo cubano. Já os Estados Unidos e a Organização da Aviação Civil Internacional concluíram posteriormente que o ataque ocorreu em águas internacionais.

Miguel Díaz-Canel saiu em defesa de Raúl Castro e afirmou que o ex-presidente possui “estatura ética e espírito humanista”, além de ter conquistado respeito internacional durante décadas de atuação política e militar em Cuba. O atual presidente também declarou que as acusações representam uma tentativa de desgastar a imagem histórica do ex-líder cubano.

Raúl Castro, de 94 anos, segue como uma das figuras mais influentes da política cubana, mesmo após deixar oficialmente a presidência em 2018. Irmão de Fidel Castro, ele teve participação central na Revolução Cubana de 1959 e ocupou por décadas o Ministério da Defesa da ilha.

A nova ofensiva judicial dos EUA ocorre em meio ao aumento das tensões entre Washington e Havana. O governo Trump ampliou sanções econômicas contra Cuba e endureceu medidas relacionadas ao fornecimento de combustível para a ilha, agravando a crise econômica e energética enfrentada pelo país caribenho.

Durante cerimônia em homenagem às vítimas do episódio de 1996, o procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, afirmou que o governo americano “não esquecerá seus cidadãos”. A declaração foi interpretada em Cuba como mais um sinal do endurecimento político e diplomático da Casa Branca contra o regime cubano.

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