A confiança no Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu o pior nível desde 2023. Pesquisa AtlasIntel em parceria com o Estadão mostra que 60% dos brasileiros dizem não confiar na Corte, enquanto apenas 34% afirmam confiar. O levantamento foi divulgado nesta sexta-feira (20) e reflete o impacto direto do escândalo envolvendo o Banco Master.

O desgaste se intensificou após a condução das investigações relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro, que colocou o tribunal no centro de suspeitas e alimentou a percepção de proximidade indevida entre investigados e integrantes do Judiciário.

Suspeitas e pressão sobre ministros

O levantamento indica que 66,1% dos entrevistados acreditam haver envolvimento direto de ministros do STF no caso. Entre os nomes citados no debate público está o ministro Alexandre de Moraes, que teria mantido contato com Vorcaro, além de outros magistrados mencionados em relações indiretas com o banco investigado.

Outro dado preocupante é a percepção de interferência externa: 76,9% afirmam que há forte influência de políticos, partidos ou grupos de poder nas decisões da Corte. Para especialistas, esse cenário corrói um dos pilares do Judiciário, a imparcialidade.

Polarização agrava cenário

A pesquisa também escancara a divisão política no país. Entre eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a desconfiança chega a 96,5%. Já entre os apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 71,4% afirmam confiar no STF.

Para o professor da Fundação Getulio Vargas, Oscar Vilhena, o protagonismo da Corte em temas políticos contribui para esse cenário. Segundo ele, quanto mais o tribunal se envolve em decisões de impacto nacional, maior é o risco de ser absorvido pela polarização.

Julgamentos sob questionamento

Outro ponto sensível revelado pela pesquisa é a resistência da população em relação ao papel do STF no caso Master. Para 53% dos entrevistados, o processo não deveria ser julgado pela Corte, enquanto 36,9% defendem a competência do tribunal.

A crise de confiança também tem impacto direto na percepção sobre a atuação dos ministros. Especialistas apontam que decisões monocráticas, suspeitas de conflito de interesse e a exposição pública dos magistrados contribuem para a erosão da imagem institucional.

Código de ética surge como resposta

Diante da pressão, ganha força dentro do STF a proposta de criação de um código de ética. A iniciativa, defendida pelo presidente da Corte, Edson Fachin, conta com apoio de 57% da população, que considera a medida prioritária para recuperar a credibilidade.

A relatoria do projeto está com a ministra Cármen Lúcia, e a expectativa é que novas regras possam estabelecer limites mais claros à atuação dos magistrados e reduzir a percepção de politização.

Tribunal sob pressão

Os dados mostram que o STF enfrenta uma das mais graves crises de confiança de sua história recente. Entre suspeitas, polarização política e questionamentos sobre imparcialidade, a Corte vê sua autoridade institucional ser colocada à prova.

Nos bastidores de Brasília, o caso Banco Master já é tratado como um divisor de águas, com potencial de impactar não apenas o Judiciário, mas o equilíbrio entre os Poderes e o ambiente político do país nos próximos anos.

Fonte: Clique aqui

Créditos do autor: