A crítica do chanceler alemão Friedrich Merz à cidade de Belém, feita após sua passagem pela capital paraense durante a COP30, provocou forte incômodo no governo brasileiro. A fala, considerada por integrantes do Executivo como “grosseira” e “inacreditável”, gerou mal-estar diplomático em meio às negociações climáticas.

Merz afirmou que os alemães que o acompanharam ficaram “contentes” ao deixar Belém e retornar ao seu país — comentário que rapidamente repercutiu entre autoridades brasileiras presentes no evento. Apesar da irritação interna, a determinação no Planalto é manter discrição e evitar declarações públicas, preservando o ambiente de diálogo internacional durante a conferência.

Segundo membros do governo ouvidos reservadamente, cabe exclusivamente às autoridades alemãs explicar o contexto ou eventual intenção da fala, e não ao Brasil criar um novo desgaste num momento considerado estratégico para a política ambiental do país.

O silêncio também atende a outro fator sensível: a ONU enviou, recentemente, uma carta ao governo brasileiro apontando falhas na organização da COP30 e cobrando melhorias imediatas. O documento foi encaminhado ao ministro da Casa Civil, Rui Costa, ao presidente da conferência, o embaixador André Corrêa do Lago, e ao governador do Pará, Helder Barbalho.

Enquanto o episódio com Merz adiciona tensão às relações diplomáticas, o governo tenta evitar que a polêmica se sobreponha às negociações e comprometa o protagonismo ambiental que o Brasil tenta reafirmar no cenário global.

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