A indicação de Jorge Messias, ministro da Advocacia-Geral da União, ao Supremo Tribunal Federal (STF), anunciada nesta quinta-feira (20), não apenas preenche a vaga deixada por Luís Roberto Barroso. Ela também consolida uma marca política expressiva: Lula passa a ter cinco ministros na atual composição da Corte, quase a metade do plenário responsável por decisões centrais da República.

A nova indicação deverá passar pela tradicional sabatina no Senado. Havendo aprovação, Messias se junta aos outros quatro nomes que chegaram ao Supremo pelas mãos do presidente, dois deles indicados neste terceiro mandato e outros dois em gestões anteriores.

Os cinco ministros de Lula na atual composição

Cristiano Zanin — o advogado que virou ministro

Indicado em 2023, Cristiano Zanin era o nome mais esperado e simbólico. Advogado pessoal de Lula na Operação Lava-Jato, foi ele quem conduziu a defesa que anulou as condenações do petista e restaurou seus direitos políticos. A chegada de Zanin ao STF foi lida como um movimento político direto do presidente.

Flávio Dino — do Ministério da Justiça para o Supremo

Também nomeado no atual mandato, Flávio Dino deixou o Ministério da Justiça para assumir a vaga aberta com a aposentadoria de Rosa Weber. Ex-juiz federal, ex-governador do Maranhão e ex-senador, Dino já ocupava posição de destaque no governo, especialmente após comandar a resposta aos ataques de 8 de janeiro.

Cármen Lúcia — indicada no primeiro ciclo de Lula

Cármen Lúcia foi escolhida por Lula em 2006, uma indicação marcante por colocar uma das poucas mulheres no tribunal. Mineira, professora e procuradora de carreira, ela presidiu o STF entre 2016 e 2018 e, à época, votou contra o habeas corpus preventivo que poderia ter evitado a prisão de Lula em 2018 um gesto que marcou distanciamento institucional, embora tenha sido indicada pelo petista anos antes.

Dias Toffoli — nome técnico que virou personagem político

Indicado em 2009, Dias Toffoli era advogado-geral da União quando assumiu a cadeira deixada por Menezes Direito. A relação do ministro com Lula oscilou ao longo dos anos: Toffoli tomou decisões polêmicas durante o período em que o petista esteve preso, incluindo a limitação de sua presença no velório do irmão. Posteriormente, reaproximou-se ao derrubar pilares da Lava-Jato e questionar decisões da operação.

Jorge Messias — o novo nome de confiança

Agora indicado, Messias integra o núcleo jurídico do governo e foi figura fundamental na transição para o terceiro mandato de Lula. Procurador da Fazenda Nacional, atuou em cargos-chave no Executivo e é visto no Planalto como quadro técnico alinhado às prioridades institucionais do presidente.

Composição do STF: o mosaico político do tribunal

Com os cinco nomes de Lula, o tribunal passa a refletir o peso político acumulado pelo presidente ao longo de seus mandatos. Os demais ministros da atual composição foram indicados por:

  • Jair Bolsonaro – André Mendonça e Nunes Marques

  • Dilma Rousseff – Edson Fachin e Luiz Fux

  • Michel Temer – Alexandre de Moraes

  • Fernando Henrique Cardoso – Gilmar Mendes

Com essas escolhas, Lula se torna o presidente democraticamente eleito que mais indicou ministros ao Supremo desde a redemocratização — onze ao todo, incluindo as aposentadorias já ocorridas.

Senado no centro do jogo

Confirmado pelo presidente, Messias agora será submetido à sabatina da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, posteriormente, a votação no plenário do Senado. Para assumir o cargo, precisa conquistar 41 votos.

 

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