A Organização Mundial da Saúde, a OMS, voltou a demonstrar preocupação com o avanço do novo surto de Ebola na República Democrática do Congo após a confirmação de mais de 100 casos da doença no país africano.
Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, mais de 900 casos suspeitos já foram identificados no território congolês. Até domingo (24), 101 infecções haviam sido confirmadas oficialmente, além de 176 mortes associadas ao surto.
O novo avanço da doença envolve a variante Bundibugyo, considerada uma cepa rara do vírus Ebola e que ainda não possui vacina aprovada internacionalmente. A situação elevou o alerta das autoridades sanitárias globais, principalmente diante das dificuldades operacionais enfrentadas na região.
De acordo com a OMS, a combinação entre ausência de imunizante específico, violência armada e deslocamento constante da população dificulta o rastreamento de contatos, o isolamento de infectados e o atendimento médico nas áreas afetadas.
Tedros Adhanom afirmou que a insegurança no país tem forçado a fuga de profissionais de saúde e equipes humanitárias, comprometendo a resposta ao surto. Segundo ele, o clima de medo e instabilidade também aumenta a desconfiança de parte das comunidades locais em relação às ações sanitárias.
Além da República Democrática do Congo, Uganda registrou duas infecções e uma morte relacionadas ao Ebola, embora sem confirmação de transmissão local até o momento. Um cidadão norte-americano que trabalhava no Congo também foi contaminado e transferido para a Alemanha para receber tratamento especializado. A suspeita é de que ele tenha sido exposto ao vírus durante um procedimento médico realizado em 11 de maio.
A OMS classificou o cenário como emergência de saúde pública de importância internacional e anunciou um plano conjunto com o CDC África, Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças, para ampliar o monitoramento dos casos e conter o avanço das infecções.
Entre as medidas previstas estão reforço do rastreamento epidemiológico, isolamento de pacientes, envio de equipes médicas e implementação de ensaios clínicos voltados ao desenvolvimento de vacinas e tratamentos contra a variante Bundibugyo.
Descoberto em 1976, o Ebola é causado por um vírus da família Filoviridae e é considerado uma das doenças infecciosas mais letais do mundo. A transmissão ocorre principalmente por contato com sangue, fluidos corporais, tecidos contaminados ou superfícies infectadas.
Especialistas apontam que o vírus teve origem em animais silvestres, como morcegos, chimpanzés e gorilas, sendo posteriormente transmitido para humanos.
Os sintomas mais comuns incluem febre alta, fraqueza intensa, diarreia, vômitos, dores abdominais e manifestações hemorrágicas. O período de incubação varia de dois a 21 dias.
Segundo a OMS, a taxa de letalidade do Ebola pode chegar a 90% em determinados surtos, dependendo da variante viral, da rapidez no diagnóstico e das condições de atendimento médico disponíveis.
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