A oposição no Congresso intensificou a ofensiva contra o governo do presidente Lula da Silva (PT) e passou a pressionar a Câmara dos Deputados para votar, em regime de urgência, um projeto de lei que derruba sigilos impostos pelo Executivo e pelo Judiciário. A iniciativa é tratada como estratégica por parlamentares que enxergam no tema um flanco direto de desgaste político para o Planalto.
O pedido foi formalizado em reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e tem como foco central a liberação de informações atualmente protegidas por sigilo de cem anos, entre elas dados sobre viagens da primeira-dama Janja da Silva e documentos envolvendo o Banco Master.
Projeto vira contraponto ao governo
De autoria coletiva, o projeto defendido pela oposição surge como reação direta ao avanço de propostas consideradas prioritárias pelo governo, como a PEC que prevê o fim da escala 6×1. Poucas horas antes da cobrança dos parlamentares oposicionistas, Hugo Motta havia encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça a proposta apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), o que acirrou o clima político.
Nos bastidores, líderes da oposição defendem que a tramitação do projeto sobre sigilos funcione como instrumento de pressão permanente sobre o governo e sobre ministros do Supremo Tribunal Federal nos meses que antecedem a disputa eleitoral.
Viagens de Janja e dados do Master no centro do embate
Entre os principais pontos citados na reunião estão as informações sobre viagens realizadas pela primeira-dama, atualmente protegidas por sigilo centenário, além de balanços financeiros e transações do Banco Master, mantidos sob reserva por decisão judicial.
Parlamentares também mencionam relatórios de visitas a gabinetes e ministérios, considerados sensíveis e, segundo eles, de interesse público. Para a oposição, o excesso de sigilo compromete a transparência e alimenta suspeitas sobre a gestão federal.
Sigilos de cem anos ampliam desgaste do Planalto
Desde 2023, o governo Lula adotou a política de impor sigilo de cem anos a uma série de informações, que vão desde agendas da primeira-dama até dados relacionados à atuação de agentes públicos em episódios como os ataques de 8 de janeiro.
Durante a CPMI do INSS, oposicionistas também criticaram o sigilo aplicado a registros de visitas feitas a parlamentares da base governista por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como operador de um esquema investigado.
Supremo entra no radar da oposição
A atuação do STF, que já vinha sendo alvo de críticas no Congresso, passou a ser ainda mais questionada após o ministro Dias Toffoli determinar o sigilo de dados fiscais do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Para a oposição, a soma de decisões do Executivo e do Judiciário criou um ambiente de blindagem institucional que precisa ser enfrentado no Parlamento. O projeto que derruba sigilos é visto como o primeiro passo dessa estratégia.
Com o calendário eleitoral se aproximando, a disputa promete se intensificar. A oposição aposta na pauta da transparência para constranger o governo, enquanto o Planalto tenta evitar que o tema se transforme em novo foco de desgaste político nacional.
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