O pequeno município de Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Paraná, tenta se reconstruir após ter sido arrasado por um tornado com ventos que ultrapassaram 250 km/h na sexta-feira (7). A tragédia deixou seis mortos, 750 feridos e pelo menos mil pessoas desalojadas, transformando a cidade de 14 mil habitantes em um cenário de destruição.
Ruas inteiras foram bloqueadas, casas viraram escombros, postes e árvores foram arrancados, e 90% da área urbana ficou comprometida. O governador Ratinho Junior (PSD) decretou luto oficial de três dias e estado de calamidade pública, permitindo o envio emergencial de recursos e equipes de resgate.
“Nosso foco é garantir que as famílias tenham abrigo, alimento e condições de recomeçar. O Paraná inteiro está de luto, mas unido para reconstruir Rio Bonito”, declarou o governador ao visitar a região no sábado (8).
A Defesa Civil informou que todos os feridos foram atendidos em hospitais de Laranjeiras do Sul, Guarapuava e Cascavel, com apoio do Samu e do Grupo de Operações de Socorro Tático (Gost). Uma força-tarefa estadual também atua na retomada de serviços essenciais, com participação da Copel, Sanepar, Corpo de Bombeiros e da Secretaria Estadual da Saúde.
Para auxiliar na reconstrução, o governo do estado enviou 2,6 mil telhas, 1,2 mil cestas básicas, 565 colchões, 270 kits de higiene e 54 bobinas de lona. Abrigos temporários foram montados em escolas e igrejas, além de centros de acolhimento emergencial.
Em paralelo, o Executivo estadual encaminhou à Assembleia Legislativa um projeto de lei em regime de urgência que autoriza o pagamento de R$ 50 mil a cada família que perdeu a casa, alterando as regras do Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap) para permitir repasse direto às vítimas.
A Defensoria Pública do Paraná também iniciou atendimento jurídico gratuito à população.
Apoio federal
O presidente Lula da Silva (PT) determinou o envio de uma equipe federal ao local, liderada pela ministra Gleisi Hoffmann, e confirmou o reconhecimento do estado de calamidade pública nacional, oficializado em decreto assinado pelo secretário de Defesa Civil, Wolnei Wolff Barreiros.
Além do apoio logístico, o governo federal autorizou a antecipação dos benefícios do INSS aos moradores da região. “Equipes do INSS serão enviadas para atender os beneficiários e orientar sobre como solicitar a renda emergencial”, informou o órgão.
O Ministério de Minas e Energia também anunciou uma operação emergencial para restabelecer o fornecimento elétrico. Segundo a pasta, cerca de 80 mil pessoas ainda estavam sem energia na noite de sábado, de um total de 290 mil afetadas pelo colapso da rede.
Luto e esperança
Entre os mortos confirmados, estão três homens de 49, 57 e 83 anos e duas mulheres de 14 e 47 anos em Rio Bonito do Iguaçu, além de um homem de 53 anos em Guarapuava. O governo estadual decretou três dias de luto em homenagem às vítimas.
Enquanto o poder público mobiliza suas estruturas, a população local tenta lidar com o trauma e se unir na reconstrução. Em meio à destruição, gestos de solidariedade têm se multiplicado — um sinal de que, apesar da devastação, Rio Bonito do Iguaçu começa a se reerguer das ruínas.
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