O movimento de migração partidária já mexeu no tabuleiro político da Câmara dos Deputados na legislatura que começou em fevereiro de 2023. Antes da janela partidária, que será aberta entre março e abril e permite troca de sigla sem perda do mandato, 46 parlamentares já mudaram de legenda. Nesse processo, o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro sofre significativa debandada, enquanto o Centrão, representado principalmente pelo PSD, Republicanos e PP, consolida sua expansão.
O PSD é o partido que mais ganhou reforços até agora, com cinco deputados a mais em sua bancada, seguido por Republicanos e Podemos, que cresceram quatro cada, e o PP, com acréscimo de três integrantes. Em contrapartida, o PL viu sua bancada diminuir de 99 para 86 deputados, com migrações direcionadas tanto a partidos do Centrão quanto a legendas de direita mais ideológica, como o Novo.
A janela partidária é o período que possibilita a troca de sigla sem risco de punição por infidelidade partidária. Fora desse intervalo, as trocas só ocorrem em casos específicos, como fusões, criação de novas legendas ou mudanças significativas no programa partidário. Muitas saídas ocorrem com aval das direções partidárias, que abrem mão de reivindicar a vaga do parlamentar.
Um exemplo emblemático dessa movimentação é o deputado Tiririca, eleito pelo PL, que migrou para o PSD. Outro caso recente é o de Guilherme Derrite, que, após acordo com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, retornou ao PP para disputar espaço no Senado. O ex-ministro Ricardo Salles, também do PL até agosto de 2024, tenta disputar o Senado paulista após deixar o partido por falta de espaço na corrida para a prefeitura.
O crescimento do PSD está ligado à atração de parlamentares de estados populosos, especialmente de quadros tucanos enfraquecidos em São Paulo, como a migração de Carlos Sampaio, veterano da Câmara desde 1992. Já o Republicanos registrou aumento de quatro deputados líquidos, resultado de um planejamento organizado, segundo seu presidente nacional, Marcos Pereira.
O PP recebeu principalmente transferências do PL, além de deputados do Pros e PTB que não atingiram a cláusula de barreira. Em movimentos estratégicos, partidos como o Republicanos e MDB fizeram trocas que ajudaram a equilibrar suas bancadas.
Entre os movimentos estaduais, destaca-se Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, que saiu do PP para liderar o novo partido no Paraná e pretende disputar o Senado.
Na bancada fluminense, o deputado Luciano Vieira migrou duas vezes na legislatura, saiu do PL para o Republicanos e depois para o PSDB, buscando maior representatividade estadual.
A ascensão dessas legendas se reflete também no âmbito municipal, com o PSD liderando em número de prefeitos eleitos em 2024, seguido pelo PP e Republicanos, que mais que dobrou suas prefeituras.
Segundo a cientista política Lara Mesquita, da FGV-EESP, há um fluxo migratório da direita ideológica para uma direita mais pragmática, impulsionado pelo desempenho dos partidos nas eleições municipais.
Nem todos os deputados tiveram facilidade para trocar de partido. No União Brasil, parlamentares do Rio de Janeiro enfrentaram resistência interna, com pedidos de desfiliação e ações judiciais, mas a maioria ainda integra a bancada. A exceção é Chiquinho Brazão, expulso e cassado após envolvimento em grave acusação criminal.
Fonte: Clique aqui
Créditos do autor:



































