Os bastidores da política baiana voltaram a ferver nos últimos dias diante de sinais de que o MDB pode caminhar novamente para uma aliança com o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), principal nome da oposição na disputa pelo governo da Bahia.
A movimentação ocorre em meio à insatisfação de lideranças emedebistas com o governo do governador Jerônimo Rodrigues (PT), especialmente após a possibilidade de o MDB perder o espaço na chapa majoritária em 2026.
Recado de Geddel e pressão interna
O ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB) usou as redes sociais para publicar uma frase do escritor e político paraibano José Américo de Almeida que fala sobre retorno e recomeço.
“Porque voltar por vezes é uma forma de renascer”, escreveu Geddel, em postagem que foi interpretada por aliados como um recado político sobre o futuro do MDB na Bahia.
Nos comentários da publicação, seguidores chegaram a sugerir abertamente uma nova aliança entre o MDB e ACM Neto, reeditando a parceria política que marcou períodos importantes da política baiana.
O movimento ocorre em um momento de tensão dentro da base governista. O governador Jerônimo Rodrigues admitiu recentemente a possibilidade de a vaga de vice-governador ficar com o Partido Social Democrático (PSD), hipótese que irritou setores do MDB.
Entre os nomes citados nos bastidores para ocupar esse espaço estaria a presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Ivana Bastos (PSD).
Bruno Reis articula retorno do MDB à oposição
Enquanto cresce o desconforto entre os emedebistas, o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), tem demonstrado interesse em reaproximar o MDB do bloco oposicionista liderado por ACM Neto.
Nos bastidores, interlocutores afirmam que Geddel mantém boa relação política com o prefeito da capital, o que pode facilitar a reconstrução da aliança.
Caso se confirme, o movimento pode redesenhar o tabuleiro eleitoral da Bahia para 2026, fortalecendo o campo da oposição ao governo estadual.
Tentativa de envolver ACM Neto no caso Banco Master
Paralelamente ao cenário político, o nome de ACM Neto apareceu em relatórios financeiros relacionados ao Banco Master, instituição ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro e alvo de investigações no sistema financeiro.
De acordo com relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), uma empresa do ex-prefeito recebeu cerca de R$ 3,6 milhões em pagamentos do Banco Master e da gestora de recursos Reag Investimentos.
Os valores foram transferidos entre dezembro de 2022 e maio de 2024.
ACM Neto confirmou os pagamentos e explicou que os recursos se referem a serviços de consultoria prestados após deixar a prefeitura de Salvador, quando não exercia qualquer cargo público.
Segundo ele, os contratos foram firmados de forma regular por meio da empresa A&M Consultoria Ltda., criada no fim de 2022 para prestação de serviços de análise estratégica e consultoria empresarial.
“Os contratos foram formais, com recolhimento de impostos e serviços efetivamente executados, relacionados à análise da agenda político-econômica nacional”, afirmou o ex-prefeito em nota.
Neto também destacou que não há qualquer irregularidade nos pagamentos, ressaltando que, no período, as empresas contratantes operavam normalmente no mercado financeiro.
Rede de consultores no Banco Master
O Banco Master, que posteriormente entrou na mira de investigações da Polícia Federal do Brasil, também contratou outros nomes conhecidos do meio político e jurídico.
Entre eles estão o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega (PT-SP) e o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski, além de escritórios de advocacia com atuação em Brasília.
A instituição financeira acabou entrando em processo de liquidação após investigações apontarem suspeitas de irregularidades bilionárias no sistema financeiro.
Fonte: Clique aqui
Créditos do autor:



































