Levantamento de “Washington Post”, “ABC” e Ipsos mostra que maioria considera ofensiva um erro; taxa se aproxima de marcas do Iraque e do Vietnã
Pesquisa Washington Post, ABC News e Ipsos, divulgada nesta 6ª feira (1º.mai.2026), mostra que 61% dos norte-americanos consideram que o uso de força militar contra o Irã foi um erro. O índice coloca a guerra conduzida pelo presidente Donald Trump (Partido Republicano) em patamar de reprovação semelhante ao registrado durante a Guerra do Iraque, em 2006, e a Guerra do Vietnã, no início dos anos 1970. Leia a íntegra (PDF — 265 kB).
Menos de 20% dos entrevistados consideram a campanha militar bem-sucedida. A pesquisa também mostra que 65% dos norte-americanos duvidam que a ofensiva vá impedir o Irã de obter armas nucleares, principal argumento usado por Trump para justificar a ação militar.
A desaprovação ocorre em um momento de pressão econômica nos Estados Unidos. Segundo o levantamento, os efeitos da guerra sobre os combustíveis, o temor de recessão e a possibilidade de aumento do risco de terrorismo contribuíram para a avaliação negativa da ofensiva.
A pesquisa indica divisão partidária sobre o conflito. Entre republicanos, 79% dizem que a guerra foi uma decisão correta. Democratas e independentes, porém, rejeitam majoritariamente a ofensiva.
A pesquisa Washington Post-ABC News-Ipsos foi realizada de 24 a 28 de abril, com 2.560 adultos dos Estados Unidos. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para o conjunto da amostra. O levantamento foi feito por meio do painel probabilístico Ipsos KnowledgePanel.
PROMESSAS DE CAMPANHA
O levantamento também mostra que a maioria dos entrevistados não vê coerência entre a guerra e o discurso adotado por Trump na campanha de 2024. Só 22% afirmaram que a condução do conflito é compatível com a promessa do republicano de evitar novas guerras.
Trump afirma que a ação militar busca impedir que o Irã desenvolva armas nucleares. O governo iraniano nega querer armamento atômico e diz que seu programa nuclear tem fins civis.
NEGOCIAÇÃO COM O IRÃ
A pesquisa foi divulgada no mesmo dia em que Trump disse não estar satisfeito com a nova proposta enviada pelo Irã para tentar encerrar a guerra. O documento foi entregue a mediadores do Paquistão, que atuam como canal indireto entre Teerã e Washington.
“Eles querem fazer um acordo. Não estou satisfeito com ele, então veremos o que acontece”, disse Trump a jornalistas na Casa Branca.
Segundo Trump, os iranianos estão pedindo “coisas” com as quais ele não pode concordar. O norte-americano não detalhou quais pontos da proposta foram rejeitados. Na tarde desta 6ª feira (1º.mai), o presidente disse que a“negociação não está chegando lá”.
LEI DE PODERES DE GUERRA
A divulgação da pesquisa também coincide com o prazo previsto pela Lei de Poderes de Guerra dos Estados Unidos. A norma exige que o presidente encerre hostilidades ou busque autorização do Congresso depois de determinado período de ação militar sem aval legislativo.
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que o cessar-fogo em vigor “pausa” a contagem do prazo. A interpretação é contestada por democratas no Congresso, que cobram o fim da operação ou uma votação formal sobre a continuidade da guerra.
Trump disse, nesta 6ª feira (1º.mai), que não precisa de autorização do Congresso para retomar ataques contra o Irã. O presidente afirmou que o cessar-fogo interrompeu a contagem do prazo e voltou a defender a possibilidade de nova ofensiva caso as negociações não avancem.
IMPACTO POLÍTICO
A reprovação à guerra se soma à queda na avaliação geral de Trump. Pesquisa Reuters/Ipsos, divulgada nesta 6ª feira (1º.mai), mostra que a aprovação do presidente caiu para 34%, menor nível desde o início de seu mandato em janeiro de 2025.
O resultado amplia a pressão sobre a Casa Branca antes das eleições legislativas de novembro. A alta dos preços, a inflação e a guerra no Irã aparecem entre os fatores de desgaste do governo norte-americano.
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