Projeto assinado pelo então governador do Estado norte-americano, Arnold Schwarzenegger, segue sem nenhum trilho instalado

O projeto de trem de alta velocidade para ligar Los Angeles a San Francisco avança lentamente desde que teve seu 1º financiamento de US$ 10 bilhões (cerca de US$ 15,5 bilhões, corrigidos para 2026) assegurado em 2008 pelo então governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger (2003-2011). Desde então, pouco foi feito para tirar do papel a 1ª linha do trem-bala, que deve ter os primeiros trilhos instalados neste ano.

O custo total do projeto, que promete conectar as duas maiores cidades do Estado norte-americano em menos de 3 horas, é de US$ 126,3 bilhões, segundo o plano de negócios mais recente, divulgado em março de 2026. Em 18 anos, o avanço foi a conclusão de 130 km de viadutos elevados liberados para receber trilhos. Isso equivale a 15,5% do percurso total, de 840 km.

Diversos fatores explicam a lentidão do projeto, entre eles complexidades regulatórias, dificuldades de financiamento e pressões dos setores aéreo e rodoviário, que tentam frear o empreendimento. Outro entrave é a necessidade de negociar com proprietários de terras ao longo do traçado.

O governo estadual iniciou a construção antes de assegurar os terrenos necessários e, depois de anos de negociação, foi obrigado a comprar mais áreas do que o previsto. Em 2019, reportagem do Los Angeles Times informou que a Autoridade Ferroviária de Alta Velocidade da Califórnia —empresa pública responsável pelo projeto— passou a atuar no setor agrícola, com ao menos 466 acres de terra cultivada. Foi um efeito colateral da compra de propriedades inteiras para viabilizar trechos da ferrovia.

Clima político

O ambiente político nos Estados Unidos também contribuiu para os atrasos. O orçamento bilionário exige financiamento federal, e a Califórnia —governada pelo Partido Democrata desde 2011— enfrentou 6 anos de governo de Donald Trump (Partido Republicano), de 2017 a 2021 e de 2025 a 2026. Trump é crítico das gestões californianas, especialmente da atual, comandada por Gavin Newsom (Partido Democrata).

EUA x China

A lenta evolução da linha californiana evidencia as dificuldades dos EUA em executar projetos desse tipo, sobretudo em comparação com a China.

Enquanto Schwarzenegger assegurava recursos para o projeto em 2008, a China iniciava a construção da linha Pequim–Xangai, com pouco mais de 1.000 km. O trecho entrou em operação comercial em 2011, 3 anos depois.

A 1ª linha relevante de alta velocidade no país asiático foi inaugurada em 2008, ligando Pequim a Tianjin. Desde então, a China construiu cerca de 50.000 km de ferrovias de alta velocidade e se tornou referência global nesse tipo de transporte.

Uma das principais diferenças está na aquisição de terras. Nos EUA, o projeto depende de negociações individuais e, em alguns casos, da compra de áreas maiores que o necessário. Na China, as terras rurais são coletivas, o que facilita a obtenção de grandes áreas. Além disso, a valorização das regiões próximas às linhas após a conclusão dos projetos amplia a margem de negociação do governo.

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