A cultura do mirtilo ganha força na Bahia e já começa a redesenhar o mapa da fruticultura de alto valor no estado. Após o encerramento do Circuito do Mirtilo na Chapada Diamantina, o foco agora se desloca para o Oeste baiano, onde o município de Barra emerge como novo polo estratégico da produção no Nordeste.
A iniciativa liderada pela Seagri, em parceria com a Fundação Luís Eduardo Magalhães, percorreu cidades como Ibicoara, Mucugê, Palmeira e Boninal, capacitando mais de 200 produtores rurais e consolidando o avanço técnico da cultura. Mas é fora da Chapada que o movimento ganha escala.
Barra entra no radar como nova fronteira do “ouro azul”
No Oeste da Bahia, a cidade de Barra já é tratada como um dos principais vetores de expansão do mirtilo. Em novembro de 2025, a entrega de 71 mil mudas marcou o início de um projeto estruturado de crescimento da cultura na região, fruto de articulação entre o deputado federal João Leão (PP), o Sindicato dos Produtores Rurais de Barra e a UFOB.
A ação, viabilizada por emenda parlamentar, envolveu produtores, estudantes e pesquisadores, consolidando uma estratégia que une política, ciência e setor produtivo. O evento contou ainda com a participação de lideranças como o reitor da UFOB, Romenique Freitas, e representantes do cooperativismo local.
O mirtilo, conhecido como “ouro azul”, já apresenta forte valorização no mercado, com preços que variam entre R$ 40 e R$ 250 por quilo, além de alta demanda e boa rentabilidade, especialmente para pequenos e médios produtores.
Adaptação ao clima e diversificação agrícola
Um dos pontos-chave para o avanço da cultura no Oeste é o uso de variedades adaptadas ao clima quente, como a Biloxi, que permite o cultivo em condições antes consideradas limitantes para a fruta.
A introdução do mirtilo ocorre em paralelo a outras culturas estratégicas, como o açaí, ampliando a diversificação de uma região já consolidada no agronegócio. A expectativa é que a fruticultura de alto valor agregado se torne um novo eixo econômico local.
Chapada consolida base técnica, Oeste projeta escala
Enquanto a Chapada Diamantina avança na capacitação e adaptação da cultura, com destaque para Boninal, o Oeste desponta como área de expansão em larga escala.
A avaliação de técnicos é que a organização dos produtores em cooperativas será determinante para garantir competitividade, reduzir custos e ampliar o acesso a mercados mais exigentes.
Articulação política e desafios estruturais
O projeto em Barra evidencia uma fórmula já conhecida no interior baiano: articulação política, apoio institucional e incentivo direto ao produtor. A presença de entidades como Sebrae, Codevasf e Banco do Nordeste reforça o ambiente de apoio ao crescimento da cadeia.
Apesar do otimismo, especialistas alertam que a consolidação do mirtilo como cultura relevante dependerá de fatores como logística pós-colheita, acesso a mercados especializados e assistência técnica contínua. Nesse cenário, a atuação da UFOB é vista como peça-chave para reduzir riscos e ampliar a base científica da produção.
Nova fronteira agrícola em construção
O avanço do mirtilo na Bahia deixa de ser uma aposta e passa a configurar uma estratégia concreta de desenvolvimento regional. Se a Chapada plantou as bases técnicas, é no Oeste, especialmente em Barra, que o estado pode encontrar o motor para transformar o mirtilo em uma nova potência agrícola.
Nos bastidores, a leitura é direta: a corrida pelo “ouro azul” já começou, e quem se posicionar primeiro pode dominar um dos mercados mais rentáveis do agronegócio brasileiro.
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