O governo dos Estados Unidos avalia classificar as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, em uma decisão com potencial explosivo tanto na segurança pública quanto no cenário político brasileiro. A informação foi divulgada pelo jornal The New York Times e revela forte atuação de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nos bastidores de Washington.
A proposta, ainda em análise pela administração de Donald Trump (Republicano), ganhou força após articulação direta dos filhos do ex-presidente brasileiro. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Palácio do Planalto, e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) teriam intensificado o lobby junto a autoridades americanas, apresentando relatórios e argumentos sobre o alcance internacional das facções.
Pressão externa com impacto eleitoral
Nos bastidores, a leitura é clara: transformar CV e PCC em organizações terroristas pode virar trunfo eleitoral para Flávio Bolsonaro, especialmente em um momento em que a segurança pública lidera as preocupações do eleitorado brasileiro.
A estratégia mira diretamente o presidente Lula da Silva (PT), apontado por adversários como leniente no combate ao crime organizado. Aliados do clã Bolsonaro avaliam que a chancela americana reforçaria o discurso de endurecimento penal e combate às facções.
Planalto vê risco de ingerência
Do lado do governo brasileiro, o movimento é interpretado como mais um episódio de interferência externa. O Palácio do Planalto teme que a eventual classificação abra brechas jurídicas para ações unilaterais dos EUA em território brasileiro, sob o argumento de combate ao terrorismo.
O histórico recente pesa. A gestão Trump já havia adotado medidas controversas envolvendo o Brasil, como sanções direcionadas a autoridades e pressões indiretas em decisões institucionais, elevando o nível de desconfiança diplomática.
A eventual decisão também poderia desencadear efeitos em cadeia na América Latina. Países como a Venezuela já enfrentaram movimentos semelhantes por parte dos EUA, utilizando a classificação de grupos como terroristas para justificar ações mais duras.
Além disso, especialistas alertam que a medida pode ampliar o grau de internacionalização do combate ao crime organizado brasileiro, trazendo consequências imprevisíveis tanto no campo jurídico quanto na soberania nacional.
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