Eleitores consideravam a medida como um dos maiores erros do governo Lula, segundo pesquisas

O receio de desgaste eleitoral levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a decidir pelo fim da chamada “taxa das blusinhas”, imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50. Integrantes do Palácio do Planalto avaliam que a medida se transformou em um dos principais símbolos negativos do governo junto às classes C e D, sobretudo entre consumidores de plataformas estrangeiras.

A avaliação ganhou força depois de pesquisas de opinião mostrarem rejeição elevada ao tributo. Levantamento AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, divulgado em 26 de fevereiro, indicou que 62% dos brasileiros consideravam a “taxa das blusinhas” o maior erro do governo Lula até então. O tema apareceu à frente de outras medidas econômicas criticadas pela população. A mesma pesquisa revelou que gratuidade do Programa Farmácia Popular e a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 foram os principais acertos da gestão petista. Eis a íntegra (PDF – 9 MB)

Segundo relatos de integrantes do governo, o ministro da Secom (Secretaria de Comunicação Social), Sidônio Palmeira, passou a defender internamente que o Planalto se desvinculasse da medida para reduzir o desgaste político antes das eleições de 2026. A avaliação era de que a cobrança afetava diretamente consumidores de baixa renda, público estratégico para Lula.

O governo federal editou na 3ª feira (12.mai.2026) uma medida provisória para acabar com a cobrança federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. Lula assinou o texto depois de semanas de discussão interna sobre os impactos eleitorais da manutenção do imposto. Dois anos depois da criação da taxa, o chefe do Executivo vê sua rejeição em alta e pesquisas que mostram Flávio Bolsonaro (PL) à frente em cenários de 2º turno.

A mudança representa uma inflexão do próprio governo. Quando a tributação foi criada, integrantes da equipe econômica argumentaram que a cobrança daria “isonomia tributária” ao varejo nacional. Aliados do Planalto atuaram no Congresso para viabilizar a medida, e o então líder do Governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), defendeu publicamente o fim da isenção.

Nos bastidores, porém, auxiliares de Lula passaram a considerar que o imposto se tornou um ativo político para a oposição e ajudou a consolidar a percepção de aumento da carga tributária sobre a população. O próprio presidente admitiu em abril que a medida trouxe “prejuízo” político ao governo e classificou a cobrança como desnecessária.


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