Recuo se dá durante transição da empresa para o setor automotivo e demanda por investimentos em inteligência artificial

O lucro líquido ajustado da Xiaomi caiu 43,1% no 1º trimestre, ficando abaixo das expectativas dos analistas, devido ao aumento dos custos dos chips de memória, à queda nas vendas de smartphones e à desaceleração nas entregas de veículos elétricos, que impactaram negativamente a empresa listada em Hong Kong.

Os resultados ressaltam a crescente pressão sobre os 2 principais motores de crescimento da Xiaomi –smartphones e veículos elétricos–, enquanto a empresa enfrenta um aumento acentuado nos custos de componentes e uma transição em sua linha de veículos, ao mesmo tempo em que investe em dispositivos premium e serviços de inteligência artificial.

A receita caiu 10,9% em relação ao ano anterior, para 99,14 bilhões de yuans (US$ 14,6 bilhões), abaixo da estimativa de consenso da LSEG de 103,4 bilhões de yuans (US$ 15,2 bilhões). O lucro líquido ajustado ficou em 6,07 bilhões de yuans (US$ 890 milhões), aquém da previsão de 6,4 bilhões de yuans (US$ 940 milhões).

As ações da Xiaomi caíram 0,8%, para HK$ 29,76 (US$ 3,80), na 3ª feira (26.mai.2026). As ações da empresa caíram quase pela metade em relação ao pico de quase HK$ 60 (US$ 7,66) depois do lançamento de um produto no final de setembro, eliminando mais de HK$ 800 bilhões (US$ 102,1 bilhões) em valor de mercado.

O JPMorgan afirmou que as ações podem estar próximas de um piso, mas provavelmente não haverá um catalisador claro até que os preços de chips de memória se estabilizem ou a empresa mostre um progresso mais visível em sua expansão internacional de veículos elétricos.

A companhia anunciou um novo programa de recompra de ações de até HK$ 20 bilhões (US$ 2,5 bilhões) nos próximos 12 meses, a partir de sua assembleia geral anual em 2 de junho. A Xiaomi informou que recomprou cerca de 400 milhões de ações por HK$ 14,6 bilhões (US$ 1,86 bilhão) em seu programa anterior, a um preço médio de HK$ 36,5 (US$ 4,66).

A receita com smartphones, que representa quase metade das vendas totais, caiu 12,5%, para 44,3 bilhões de yuans (US$ 6,5 bilhões). O presidente Lu Weibing afirmou que a Xiaomi reduziu deliberadamente o estoque de dispositivos de baixo e médio custo nos canais de distribuição.

As remessas globais de smartphones caíram 19,2%, para 33,8 milhões de unidades, embora o preço médio de venda tenha subido 8,2%, atingindo o recorde de 1.310 yuans, refletindo a contínua premiumização. No entanto, a margem bruta no segmento caiu 2,3 ​​pontos percentuais, para 10,1%, impulsionada principalmente pelo aumento acentuado dos custos de chips de memória e pela intensificação da concorrência na China continental.

Lu afirmou que os preços dos contratos de chips de memória aumentaram cerca de 5 vezes desde o 3º trimestre do ano passado e devem continuar subindo no 3º trimestre antes de se estabilizarem, embora tenha alertado que o impacto dos custos nos eletrônicos de consumo permanecerá significativo devido à base de comparação elevada.

Ele disse que a Xiaomi está respondendo ajustando suas linhas de produtos de forma mais rápida, limitando os aumentos de preços em modelos antigos sempre que possível, acelerando os lançamentos de produtos de ponta para elevar os preços médios de venda e explorando smartphones com inteligência artificial.

Ele acrescentou que 2026 marcará o “1º ano dos telefones com IA”, com a transição da interação baseada em aplicativos para agentes de IA em nível de sistema incorporados ao sistema operacional.

O JPMorgan afirmou que a pressão sobre os custos de chips de memória provavelmente persistirá no 2º trimestre, com os valores de DRAM e NAND podendo subir de 40% a 60% em relação ao trimestre anterior. Dados da IDC mostraram que as remessas globais de smartphones caíram 4,1% no 1º trimestre, encerrando 10 trimestres consecutivos de crescimento, com a Xiaomi registrando a maior queda entre os 5 principais fabricantes.

O diretor financeiro Lin Shiwei revelou, pela 1ª vez, novos detalhes sobre os esforços de monetização de IA da Xiaomi. A empresa lançou um produto de assinatura chamado “Plano de Tokens” em 3 de abril, com usuários pagantes representando 30% do uso de tokens. Usuários dos pacotes Pro e Max, de nível superior, com preços entre 329 e 659 yuans por mês, representam mais da metade do uso, enquanto usuários no exterior representam mais da metade dos clientes pagantes.

Lin afirmou que a Xiaomi planeja investir 16 bilhões de yuans (US$ 2,4 bilhões) em IA e inteligência incorporada em 2026, e que o orçamento poderá aumentar se as atualizações de modelos continuarem a ganhar força.

No setor automotivo, a Xiaomi entregou 80.856 veículos no 1º trimestre, um aumento de 6,6% em relação ao ano anterior, mas uma queda de 44,3% em comparação com o trimestre anterior, refletindo uma transição entre a 1ª geração do SU7 e a nova linha de produtos.

A empresa reafirmou sua meta para o ano todo de 550 mil veículos, o que implica uma média de entregas trimestrais de cerca de 156 mil unidades para o restante do ano.

A Xiaomi interrompeu a produção em massa do modelo SU7 em meados de fevereiro e iniciou as entregas da nova geração no final de março. Os pedidos confirmados ultrapassaram 80.000 em 6 de maio, e as entregas acumuladas ultrapassaram 26.000 até 23 de abril, segundo a empresa.

Em 21 de maio, a Xiaomi lançou o YU7 GT e o YU7 padrão, com este último com preço inicial de 233,5 mil yuans (US$ 34.410) e posicionado para competir com o Tesla Model Y.

A receita do setor automotivo totalizou 19 bilhões de yuans (US$ 2,8 bilhões) no trimestre. O preço médio de venda caiu para 235 mil yuans (US$ 34.630), ante 250 mil yuans (US$ 36.840) no 4º trimestre, refletindo subsídios fiscais para compras e a redução dos preços dos estoques.

Os negócios da Xiaomi relacionados a veículos elétricos inteligentes e inteligência artificial registraram um prejuízo operacional de 3,1 bilhões de yuans (US$ 460 milhões) depois de 2 trimestres consecutivos de lucro.

A margem bruta do segmento automotivo caiu para 20,1%, a menor em 6 trimestres, devido a subsídios, custos mais altos de componentes e menor absorção de custos fixos durante a transição de produção. O diretor financeiro, Lin, afirmou que as margens devem melhorar no próximo trimestre, com o aumento da produção de novos modelos e a entrada em vigor das reduções de custos.

O segmento de internet das coisas e produtos de consumo da Xiaomi caiu 23,7%, para 24,7 bilhões de yuans (US$ 3,6 bilhões), pressionado por uma base de comparação elevada na China continental, depois da demanda impulsionada por subsídios no ano passado.

A receita no exterior, no entanto, atingiu um recorde histórico e cresceu a taxas de 2 dígitos, à medida que a empresa expandiu seus canais de distribuição e categorias de produtos no exterior.


Esta reportagem foi originalmente publicada em inglês pela Caixin Global em 26.mai.2026. Foi traduzida e republicada pelo Poder360 sob acordo mútuo de compartilhamento de conteúdo.

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