A economia da Bahia registrou crescimento de apenas 0,4% no primeiro trimestre de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI). O resultado, porém, foi fortemente impactado pelo desempenho negativo da indústria, que apresentou retração de 5,9% e se consolidou como o principal fator de desaceleração da atividade econômica estadual.
De acordo com o levantamento, o Produto Interno Bruto (PIB) baiano alcançou R$ 142 bilhões nos três primeiros meses do ano. Desse total, R$ 122,7 bilhões correspondem ao Valor Adicionado da economia e R$ 19,3 bilhões referem-se aos impostos arrecadados.
Embora o resultado geral tenha permanecido positivo, a expressiva queda do setor industrial impediu uma expansão mais robusta da economia baiana, mesmo diante do bom desempenho da agropecuária e do setor de serviços.
O principal recuo foi observado na indústria de transformação, que registrou queda de 7,9% em relação ao primeiro trimestre de 2025. O segmento é considerado um dos mais relevantes para a geração de emprego, renda e valor agregado na economia estadual.
Além disso, os setores de eletricidade, água e esgoto apresentaram retração de 2,1%, enquanto a construção civil recuou 0,7%, ampliando os efeitos negativos sobre o desempenho industrial.
Os números revelam um cenário de desafios para o setor produtivo baiano, especialmente em áreas ligadas à atividade manufatureira, que enfrenta dificuldades decorrentes da desaceleração econômica, do custo do crédito e da redução da demanda em alguns segmentos.
Em contrapartida, a agropecuária foi o principal destaque positivo do período. O setor cresceu 5,8%, impulsionado pela boa safra de grãos e pelo desempenho favorável de culturas agrícolas relevantes para a economia estadual.
O segmento de serviços também contribuiu para evitar um resultado mais fraco do PIB, registrando expansão de 2,7%. O setor continua sendo o principal responsável pela movimentação econômica da Bahia, sustentado por atividades ligadas ao comércio, transporte, administração pública e demais serviços.
Dentro da indústria, o único destaque expressivamente positivo ficou por conta da atividade extrativa mineral, que avançou 7,3% no período. O crescimento foi impulsionado principalmente pelo aumento da produção de petróleo e gás natural, ajudando a amenizar parte das perdas registradas nos demais segmentos industriais.
Outro dado que chama atenção é o desempenho da economia baiana na comparação com o quarto trimestre de 2025. Considerando os ajustes sazonais, o PIB estadual registrou recuo de 0,1%, indicando estabilidade com viés de desaceleração na passagem entre os trimestres.
Os números divulgados pela SEI mostram que, apesar da manutenção do crescimento econômico, a recuperação da indústria permanece como um dos principais desafios para a Bahia em 2026. O desempenho do setor será determinante para impulsionar investimentos, fortalecer a geração de empregos e ampliar o ritmo de expansão da economia estadual nos próximos meses.
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