O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, busca uma reunião urgente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, logo após o retorno do líder americano da cúpula do G7. A movimentação ocorre em meio ao aumento das divergências entre os dois governos sobre a condução dos conflitos envolvendo o Irã e o Hezbollah no Líbano.

Segundo informações divulgadas por fontes israelenses, Netanyahu pretende apresentar diretamente a Trump as preocupações estratégicas de Israel diante das negociações em curso entre Washington e Teerã, além de discutir a atuação militar israelense na fronteira norte e no território libanês.

A iniciativa surge após um raro episódio de críticas públicas do presidente americano ao governo israelense. No domingo (14), Trump repreendeu Israel pelo ataque realizado contra Beirute em resposta a disparos efetuados pelo Hezbollah contra o norte do território israelense. O presidente classificou a ofensiva do grupo libanês como um incidente de pequena dimensão e afirmou que a resposta israelense à capital do Líbano não deveria ter ocorrido.

As declarações evidenciaram um contraste em relação à sintonia demonstrada pelos dois líderes nos primeiros momentos da escalada militar envolvendo o Irã. Nos últimos meses, porém, Washington e Tel Aviv passaram a divergir em pontos estratégicos relacionados ao encerramento das hostilidades e aos termos de um possível acordo regional.

De acordo com a fonte israelense, uma das principais preocupações do governo Netanyahu é preservar a liberdade de ação das Forças de Defesa de Israel contra posições do Hezbollah no sul do Líbano. Autoridades israelenses avaliam que eventuais compromissos diplomáticos firmados pelos Estados Unidos poderão limitar operações militares consideradas essenciais para a segurança do país.

Outro ponto sensível envolve as negociações entre Estados Unidos e Irã. O governo israelense teme que um acordo em construção entre Washington e Teerã resulte no alívio das sanções econômicas impostas ao regime iraniano sem avanços concretos sobre o programa nuclear do país.

Na avaliação de setores do governo israelense, um entendimento dessa natureza poderia fortalecer economicamente o Irã e ampliar sua influência regional em um momento considerado estratégico para a política de contenção adotada por Israel.

As divergências já haviam ficado evidentes nos últimos dias. Segundo relatos de autoridades israelenses, Trump teria solicitado o cancelamento de planos militares contra alvos iranianos após uma nova troca de ataques entre os dois países, ocorrida depois do cessar-fogo firmado em abril.

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