A Polícia Federal intensificou as investigações da Operação Compliance Zero ao apreender dois celulares do senador Jaques Wagner (PT), líder do governo Lula (PT) no Senado, durante o cumprimento de mandados autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os aparelhos serão submetidos à perícia para verificar a existência de mensagens, documentos e outros elementos que possam contribuir para o inquérito e servirem como provas.
O que apurou o #Acesse Política é que há preocupação entre parlamentares da base do governo com o conteúdo dos celulares apreendidos. Nos bastidores, a avaliação é de que a perícia possa revelar informações que eventualmente alcancem integrantes de alto escalão do governo, inclusive o presidente da República, caso existam elementos nesse sentido. A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes financeiros relacionados ao Banco Master.
Segundo as investigações, os peritos pretendem analisar o conteúdo das conversas entre Wagner e o empresário baiano Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro. Parte desses diálogos já teria sido localizada no celular de Augusto Lima, apreendido em fases anteriores da operação. A PF também busca verificar se existia contato direto entre o senador e Vorcaro, hipótese negada por Wagner.
Além dos celulares, a operação resultou na apreensão de aproximadamente US$ 49 mil em um quarto de hotel em Brasília e de US$ 6,1 mil, além de 33,5 mil euros, em um endereço ligado ao parlamentar em Salvador. Conforme a cotação do período, os valores ultrapassam R$ 470 mil.
Em entrevista à BandNews, Wagner afirmou que a maior parte dos recursos em moeda estrangeira corresponde a diárias recebidas do Senado para viagens oficiais ao exterior desde 2019. Segundo ele, parte do dinheiro também foi adquirida legalmente por meio do Banco do Brasil para custear deslocamentos internacionais.
O senador declarou que está “absolutamente tranquilo” diante das investigações e negou ter recebido qualquer vantagem indevida do Banco Master ou do empresário Augusto Ferreira Lima.
Dados disponíveis no Portal da Transparência mostram que Wagner recebeu cerca de US$ 66,8 mil em diárias referentes a 27 viagens oficiais realizadas entre 2019 e 2026, informação utilizada por sua defesa para justificar parte dos valores apreendidos.
Na decisão que autorizou as buscas, o ministro André Mendonça registrou que a representação da Polícia Federal aponta, em tese, Wagner como possível beneficiário de vantagens econômicas supostamente oferecidas por Augusto Ferreira Lima em troca de atuação parlamentar favorável aos interesses da instituição financeira investigada. Entre os benefícios citados pelos investigadores estão o pagamento de um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões em Salvador, utilização de aeronaves particulares e ingressos para um show internacional. As suspeitas ainda são objeto de investigação e não há condenação judicial sobre os fatos.
A defesa de Augusto Ferreira Lima classificou a nova fase da operação como desnecessária e afirmou que o empresário permanece à disposição das autoridades. Em nota, os advogados sustentam que as diligências contribuirão para demonstrar a legalidade de todos os atos praticados.
Nos bastidores da política baiana, o avanço da investigação aumentou a expectativa sobre o conteúdo dos celulares apreendidos. A perícia realizada pela Polícia Federal deverá indicar se os aparelhos contêm mensagens, registros ou outros elementos. Mas uma coisa é certa, esse ano eleitoral de 2026 já começou a entrar para história.
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