A ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) deu neste sábado 27 um novo passo para resistir à estratégia do presidente Lula (PT) de lançá-la ao governo de Minas Gerais. Em meio à pressão do PT para que assuma a candidatura ao Palácio Tiradentes, ela participou, em Montes Claros, de uma agenda conjunta com os pré-candidatos Gabriel Azevedo (MDB) e Jarbas Soares (PSB), reforçando a defesa de uma aliança entre os partidos da base governista em vez de uma chapa própria petista.
A movimentação ocorre poucos dias depois de Lula reunir dirigentes do PT mineiro e avalizar a decisão da legenda de ter candidatura própria ao governo estadual. Desde então, Marília, considerada o nome preferido do presidente para comandar o palanque no estado, tem reiterado que pretende disputar uma vaga no Senado e que discorda da estratégia adotada pelo partido.
Após o encontro em Montes Claros, a petista afirmou que pretende apresentar pessoalmente sua proposta ao presidente da República e ao presidente nacional do PT, Edinho Silva. Segundo ela, o foco deve ser uma estratégia capaz de fortalecer simultaneamente as disputas pelo governo, pelo Senado e pelas bancadas de deputados.
“A minha discussão não é dar um ‘não’ ou um ‘sim’. A minha discussão é apresentar uma proposta onde defendo uma estratégia para ganhar as eleições, tanto para governo, como para o Senado”, afirmou.
Marília voltou a defender uma composição envolvendo PT, MDB, PSB e, eventualmente, o PDT. “Não estamos aqui disputando apenas nomes, estamos disputando uma estratégia unificada”, disse. Na avaliação da ex-prefeita, a prioridade deve ser construir “uma grande conciliação de interesses” para oferecer um palanque competitivo ao presidente Lula em Minas Gerais.
Durante a agenda, a petista também fez elogios aos dois pré-candidatos presentes. Disse que Jarbas Soares “foi um grande procurador-geral” e o classificou como “um bom candidato ao governo”. Sobre Gabriel Azevedo, afirmou que ele “tem mostrado muita disposição para essa luta” e possui “muita consistência com suas convicções”.
A ex-prefeita reforçou ainda que não pretende disputar o governo estadual. Segundo ela, a candidatura ao Senado é o caminho mais adequado tanto pela defesa do municipalismo quanto pela viabilidade eleitoral. “Todas as pesquisas feitas até então me apontam como a mais viável, do ponto de vista de uma vitória eleitoral, para a candidatura ao Senado”, afirmou.
A agenda conjunta também serviu para aproximar os três grupos. Gabriel Azevedo defendeu o diálogo entre partidos com trajetórias distintas e Jarbas Soares declarou apoio à candidatura de Marília ao Senado, elogiando sua disposição para buscar uma solução negociada para a eleição mineira.
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Créditos do autor: Vinícius Nunes
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