Vários ministros e líderes políticos franceses denunciaram neste domingo 12 o “racismo repugnante” e o “ódio” contidos em um artigo escrito pelo ex-primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy, que descreveu a seleção francesa de futebol como uma equipe “sem franceses”.

A poucos dias da semifinal da Copa do Mundo entre França e Espanha, Rajoy, chefe de Governo da Espanha entre 2011 e 2018 pelo Partido Popular, analisou a seleção francesa em uma coluna publicada pelo jornal El Debate.

No texto, o político conservador afirmou que os Bleus têm “um elenco de altíssimo nível. Isso sim, sem franceses”.

“A seleção francesa não é composta apenas por franceses. A França não é um país étnico, não tem cor de pele nem religião. É uma nação política reunida em torno dos valores republicanos”, reagiu na rede X Olivier Faure, líder do Partido Socialista francês.

Fabien Roussel, líder do Partido Comunista Francês, também criticou Rajoy e denunciou o que chamou de “racismo repugnante”.

Integrantes do governo francês se somaram às críticas. A ministra dos Territórios Ultramarinos, Naima Moutchou, afirmou que, após cada vitória da seleção, “ressurgem as mesmas obsessões e insultos racistas”.

Já a ministra encarregada da pasta de Combate às Discriminações, Aurore Bergé, condenou os “repetidos deslizes racistas”.

A declaração de Rajoy também provocou reações na Espanha. O primeiro-ministro Pedro Sánchez criticou as “declarações xenófobas” do ex-chefe de Governo.

“Há quem ainda meça o pertencimento pelo sobrenome, pelo lugar de nascimento ou pela cor da pele. Outros a medem pelo enraizamento a um país e a vontade de contribuir com ele”, afirmou em uma mensagem na rede social X.

“A Espanha pertence a quem a ama e a quem trabalha por ela. Não a quem a envergonha com declarações xenófobas. França, nos vemos na semifinal. Que vença o melhor e que perca o racismo”, acrescentou.

A embaixada da França em Madri também respondeu: “Todos os jogadores da seleção francesa são franceses. Dos 26 jogadores, 23 nasceram na França. Os três que nasceram no exterior também são franceses”.

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Créditos do autor: AFP

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