Investir em saúde mental deixou de ser apenas uma iniciativa voltada ao bem-estar dos colaboradores. Hoje, a prática faz parte da estratégia de negócios de muitas empresas. Um levantamento da Great People Mental Health (GPMH) mostra que organizações com programas estruturados podem aumentar a produtividade em até 25%. Além disso, conseguem reduzir o turnover em até 40% e diminuir em até 35% os afastamentos relacionados a transtornos mentais.
O cenário ganha ainda mais relevância após a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). Além disso, a norma reforça a necessidade de identificar, avaliar e gerenciar riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Assim, a saúde mental ocupa um espaço semelhante ao de áreas como compliance, proteção de dados e segurança da informação na governança corporativa.
Saúde mental se torna indicador estratégico
Além de contribuir para a qualidade de vida dos colaboradores, programas voltados à saúde mental também geram impacto financeiro. Segundo a GPMH, empresas podem obter retorno de até quatro vezes o valor investido em programas estruturados de saúde mental.
Para a sócia-diretora da Great People Mental Health, Renata Conrado, a gestão da saúde mental já ultrapassou os limites do setor de recursos humanos. Atualmente, ela integra o planejamento estratégico das empresas.
“A saúde mental deixou de ser uma ação pontual de bem-estar para se tornar um indicador estratégico de gestão. Empresas que conseguem identificar precocemente os riscos psicossociais protegem seus colaboradores e, ao mesmo tempo, fortalecem produtividade, engajamento e sustentabilidade do negócio”, afirma.
Nova NR-1 amplia atenção aos riscos psicossociais
A atualização da NR-1 tornou obrigatória a inclusão dos riscos psicossociais nas políticas de saúde e segurança do trabalho. Na prática, as empresas precisam identificar, avaliar e gerenciar fatores que podem afetar a saúde mental dos trabalhadores.
Além de atender à legislação, a medida busca reduzir o absenteísmo, a perda de produtividade e a alta rotatividade de profissionais. Ao mesmo tempo, cresce a demanda de investidores e conselhos de administração por indicadores ligados às práticas ambientais, sociais e de governança (ESG).
Tecnologia auxilia na prevenção e no monitoramento
Nesse cenário, ferramentas baseadas em inteligência artificial e análise de dados ganham espaço. A Great People Mental Health, fundada em 2021, desenvolveu uma plataforma que utiliza inteligência artificial, neurociência, ciência de dados e processamento de linguagem natural. O objetivo é identificar fatores associados aos riscos psicossociais nas organizações.
De acordo com o sócio-diretor da empresa, Paulo Gaspar, a equipe desenvolveu a metodologia após analisar mais de 20 mil artigos científicos. Além disso, avaliou cerca de 650 milhões de palavras e informações de mais de 14 milhões de pessoas.
“Assim como as empresas acompanham indicadores financeiros e operacionais, a saúde mental também precisa ser monitorada por meio de dados. A tecnologia transforma percepções em indicadores objetivos, permitindo identificar riscos e agir preventivamente antes que eles afetem pessoas e resultados”, destaca.
Além do diagnóstico organizacional, a plataforma acompanha a evolução dos indicadores ao longo do tempo. Também oferece suporte para a adequação à NR-1. Entre as soluções estão o mapeamento de riscos psicossociais, a elaboração de matrizes de risco e o apoio ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). A empresa ainda disponibiliza capacitação de lideranças, certificação em saúde mental e trilhas de aprendizagem.
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