A alta de uma UTI ou de um hospital de alta complexidade nem sempre representa o fim do tratamento. Pacientes que enfrentaram AVC, grandes cirurgias, traumas ou doenças complexas podem precisar de acompanhamento médico e reabilitação antes de voltar para casa.
Ainda pouco conhecido no Brasil, o hospital de transição ocupa esse espaço na jornada de recuperação. A proposta é oferecer cuidado intensivo e multiprofissional a quem já superou a fase aguda, mas ainda não recuperou segurança e autonomia para retomar a rotina.
Em Salvador, a Clínica Florence passa a adotar oficialmente a marca Florence ao completar nove anos. Fundada em 2017, a instituição foi o primeiro Hospital de Transição do Norte e Nordeste.
O que faz um hospital de transição?
O hospital de transição atende pessoas que superaram a fase aguda de uma doença. No entanto, elas ainda não podem retornar para casa com segurança.
Esses pacientes podem precisar de reabilitação intensiva, cuidados médicos contínuos e apoio de diferentes profissionais. Entre os perfis atendidos estão pessoas após AVC, traumas, grandes cirurgias e internações prolongadas em UTI.
No SUS, um modelo semelhante é previsto nas Unidades de Internação em Cuidados Prolongados e nos Hospitais Especializados em Cuidados Prolongados. Essas estruturas funcionam entre o hospital de alta complexidade e a atenção domiciliar ou básica.
Recuperação exige plano individualizado
No período entre a alta hospitalar e o retorno ao domicílio, o foco é recuperar funções comprometidas. Também é preciso preparar pacientes e famílias para os cuidados necessários em casa.
Quando integrado a um plano terapêutico individualizado e conduzido por equipe multiprofissional, o hospital de transição pode favorecer a recuperação funcional e a retomada da autonomia.
O modelo também pode ajudar a reduzir reinternações evitáveis. Os resultados, porém, dependem das necessidades e da evolução clínica de cada paciente.
Em um estudo de coorte histórica publicado em 2024 na revista científica Texto & Contexto Enfermagem, pesquisadores acompanharam 684 adultos e idosos em um hospital terciário do Sul do Brasil. Entre os pacientes que tiveram seguimento após a alta, a taxa de reinternação em 30 dias foi de 19,7%, contra 28,7% no grupo sem acompanhamento.
A mortalidade no mesmo período também foi menor entre os pacientes acompanhados: 5,8%, contra 13,8%. O estudo aponta uma associação entre a continuidade do cuidado e melhores resultados. Isso não significa que todos os pacientes terão o mesmo desfecho.
Reabilitação e preparo da família
A assistência costuma envolver médicos, enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, nutrição, psicologia e serviço social. Cada área atua conforme a necessidade do paciente.
Além da reabilitação, a família recebe orientações para lidar com a nova rotina. Essa preparação pode incluir cuidados com mobilidade, alimentação, medicações e uso de equipamento
s.
Para famílias
que vivem esse momento, a orientação é conversar com a equipe do hospital de origem. A indicação para uma unidade de transição depende de avaliação clínica e do plano de cuidado.
Nova Florence: Maturidade traduz modelo assistencial
A Florence afirma que a mudança de nome acompanha a maturidade alcançada pela instituição. A atividade assistencial, segundo a organização, permanece a mesma.
“Mais do que uma mudança de nome, essa evolução traduz com mais fidelidade quem somos: um hospital especializado na continuidade do cuidado. A Florence não está mudando o que faz. Estamos tornando mais claro o que somos. A marca evolui para refletir a maturidade da instituição e do modelo assistencial que ajudamos a consolidar no Brasil”, afirma o presidente da Florence, Dr. João Gabriel Ramos.
Além de Salvador, a Florence está presente em Recife desde 2021. Ao longo da trajetória, a instituição ampliou a atuação para atendimentos ambulatoriais e programas de gerenciamento do cuidado.
A Florence também mantém acreditação internacional da Joint Commission International (JCI). A certificação é voltada à qualidade e à segurança assistencial.
“Nossa missão permanece a mesma: oferecer o cuidado que o paciente ainda precisa antes de voltar para casa. Ao simplificarmos a marca para Florence, reforçamos nosso propósito e nossa posição como o primeiro Hospital de Transição do Norte e Nordeste”, conclui Dr. João Gabriel Ramos.
Quando o hospital de transição pode ser indicado?
A modalidade pode ser considerada quando o paciente:
• Já saiu da fase aguda da doença;
• Ainda precisa de reabilitação e acompanhamento clínico;
• Não tem condições de retornar ao domicílio com segurança;
• Precisa que familiares ou cuidadores sejam preparados para a alta.
A avaliação deve ser feita pela equipe assistente. O encaminhamento também depende da cobertura do plano de saúde ou da disponibilidade na rede pública.
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